Normalização no abastecimento de chips só deve acontecer em 2023

Demanda pelos semicondutores cresce 17% ao ano, enquanto alta da produção é de apenas 6%

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As empresas de tecnologia que produzem semicondutores estão fazendo malabarismos para conseguir aumentar a produção de chips e atender ao aumento da demanda. O desequilíbrio entre a oferta e a procura do componente tem causado uma crise em todos os setores que usam chips em seus produtos, como veículos e equipamentos eletrônicos.

Mesmo com os esforços das produtoras, o problema deve continuar preocupando por algum tempo. Em entrevista ao CNN Brasil Business, a diretora geral da Intel Brasil, Gisselle Ruiz, disse esperar que a cadeia de suprimentos se estabilize em alguns anos, mas que a demanda tende a continuar aumentando. Para ela, oferta e demanda só devem ficar próximas do ponto de equilíbrio em 2023.

Os microchips são usados em carros, computadores, celulares e vários outros produtos, mas o setor mais afetado foi o automotivo. A maior parte dos veículos usa semicondutores mais antigos, e as fabricantes priorizam o atendimento de clientes que usam as novas gerações. Um dos motivos é porque garantem melhor retorno financeiro.

A demanda pelos semicondutores cresce 17% ao ano, enquanto alta da produção é de apenas 6%. Até 2023, todo o mundo ainda deve sofrer as consequências do desequilíbrio nesse mercado. Segundo a líder da Intel no Brasil, episódios de paralisação de montadoras ainda devem ocorrer até o fim do ano.

O presidente da Anfavea, Luiz Carlos Moraes, afirmou que o setor fez esforços para encerrar 2021 com número melhor de produção para atender o mais rápido possível os pedidos. As fábricas de caminhões também são afetadas, mas, por consumirem semicondutores em menor escala, conseguem administrar a situação com menos prejuízo.