Transporte aéreo mantém tendência de recuperação, mas sofre com processos

O mercado doméstico registrou uma queda na demanda de apenas 9% na comparação com o mesmo período de 2019, apontou a Associação Internacional de Transporte Aéreo

Foto: Reprodução

Em novembro deste ano, o mercado doméstico registrou uma queda na demanda de apenas 9% na comparação com o mesmo período de 2019, reforçando assim a tendência de recuperação da cadeia aérea, apontaram dados da Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA). Na comparação com 2020, o resultado representa 40% de alta.

Em evento com jornalistas, o diretor no Brasil da IATA, Dany Oliveira, afirmou que a estimativa é de que o mercado deve atingir níveis pré-pandemia no início de 2022 no doméstico. Para o internacional, a recuperação em níveis de 2019 deve vir em 2023.

Peter Cerdá, vice-presidente regional para as Américas da IATA, parabenizou as empresas da América Latina pela recuperação após os desafios da pandemia. Segundo o executivo, a boa notícia é que as aéreas que estavam em Chapter 11 (lei de recuperação judicial nos Estados Unidos) já estão saindo, como a Aeroméxico, a Avianca e a Latam.

Processos

No Brasil, cresce a preocupação das aéreas com processos, enfatizou o consultor jurídico da associação no Brasil, Ricardo Bernardi. Os processos envolvem sobretudo questões operacionais, como atraso de voos. Embora o volume de processos em 2020 tenha caído com a queda na oferta de voos, proporcionalmente o número de ações aumentou.

O Brasil é o país onde as aéreas mais sofrem com processos no mundo, declarou a IATA. A associação citou alta de 52% no número de processos contra as aéreas de 2017 para 2018, para 64 mil. De 2018 para 2019, a alta foi de 141%, para 154 mil. Em 2019, o país registrou uma ação a cada 1,8 voo. Nos EUA, foi uma ação a cada 12,685 voos.

O consultor da IATA considera que há uma saída para as empresas com a aprovação da Lei 14.034/20, no fim do ano passado. A lei veio para ajudar o setor a atravessar a pandemia, mas trouxe junto algumas medidas que continuarão após o fim do caos sanitário.

Entre as principais estão o fim do “dano moral automático“ diante de um problema na viagem (cabe ao passageiro provar tal dano agora) e a não responsabilização da aérea ao não conseguir operar um voo diante de fatores externos (como clima ruim).