Bairros de capitais correm risco de ficar sem o 5G em 2022

Para o Governo, a previsão é que todas as capitais brasileiras recebam o 5G até julho do próximo ano

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Para o Brasil, o leilão do 5G arrecadou R$ 46,7 bilhões e a maior parte será estabelecida para investimentos em infraestrutura. O dinheiro está garantido, porém, a implantação e funcionamento da tecnologia já para 2022 poderão encontrar em leis antigas e processos burocráticos.

A previsão do governo é de que todas as capitais brasileiras recebam o 5G até julho do próximo ano. Segundo entidades do setor ouvidas por Tilt, há riscos de que bairros fiquem de fora desse cronograma.

Para Claro, Tim e Vivo, as empresas vencedoras do leilão, o que dispõe esse problema no horizonte é a inadequação de legislações municipais à LGA (Lei Geral das Antenas), criada com o finalidade de flexibilizar regras para a instalação de infraestrutura de telecomunicações, as chamadas torres ERBs (Estações de Rádio Base), antenas e torres que transmitem o sinal da operadora para o seu celular.

Lugares com 5G

De acordo com a Conexis, Sindicato das Operadoras de Telefonia, representante da Claro, Vivo e Tim, apenas sete capitais estão qualificadas a receber o 5G em 100% da área urbana. São elas: Boa Vista, Brasília, Curitiba, Fortaleza, Palmas, Porto Alegre e Porto Velho.

No Brasil, apenas 27 cidades dentre os mais de 5.500 municípios seguiam a Lei Geral das Antenas até 11 de novembro deste ano, segundo levantamento da Abrintel (Associação Brasileira de Infraestrutura de Telecomunicações).

Ou seja, a maioria das cidades segue legislações desatualizadas, criadas no início dos anos 2000, ainda durante a popularização do 2G e 3G, e considerando questões urbanísticas da época para a instalação de antenas e torres de sinal, destacam as entidades.

Incertezas e Dificuldades

Marcos Ferrari, presidente executivo da Conexis, relatou que essa questão cria um cenário de incerteza de que todos os bairros receberão a conexão. Provavelmente, algumas terão dificuldades de oferecer condições para essa meta das operadoras de oferecer o 5G em sua plenitude.

O edital da Anatel para o 5G prevê que as empresas vencedoras do leilão instalem pelo menos uma nova antena para cada grupo de 100 mil nas capitais. E estudos de mapeamento de redes que serão realizados nos próximos meses podem indicar a necessidade de construção de ainda mais ERBs para cobrir todos os bairros desses municípios.

Para Ferrari, caso a legislação não esteja adequada, devem ter dificuldade de colocar uma antena para cada 100 mil habitantes porque a topografia da rede poderá apontar a necessidade de instalar uma antena em região onde eventualmente a lei atual proíbe. Assim, poderão existir pontos sem conexão.

De acordo com a Conexis, as operadoras não veem risco estourar o prazo de até 31 de julho de 2022 para ofertarem 5G em todas as capitais brasileiras.

O que pode ocorrer é que a tecnologia, que oferece internet 20 vezes mais rápida do que o 4G, não funcionará em sua totalidade, como velocidade e baixa latência, menor tempo de resposta entre um comando e outro.

Isso porque a saída que alguns municípios poderão adotar para garantir o 5G envolve o uso de parte da infraestrutura já existente das redes 4G, o que não é o ideal. A quinta geração de internet necessita de cinco vezes mais antenas para estar 100% disponível em uma área do mesmo tamanho do 4G, por exemplo.

Luciano Stutz, presidente da Abrintel, acrescenta: ‘’Se não fizer a lei, as cidades deixarão de ter 5G? Não’’. Possivelmente serão colocadas antenas de gerações diferentes uma ao lado da outra, para funcionar. Porém, as pessoas não terão internet em sua plenitude.

O cronograma previsto de implementação do 5G pelo Governo Federal segue assim:

Cidades com mais de 500 mil habitantes: até julho de 2025

Cidades com mais de 200 mil habitantes: até julho de 2026

Cidades com mais de 100 mil habitantes: até julho de 2027

Cidades com mais de 30 mil habitantes: até julho de 2028