Vale propõe metas sociais para amenizar o efeito “pós-Brumadinho”

O diretor-presidente, Eduardo Bartolomeo, reforçou que a prioridade permanece sendo a reparação de Brumadinho de forma justa

Eduardo Bartolomeo, diretor-presidente da Vale (Foto: Divulgação)

No Vale Day, encontro anual com investidores na Bolsa de Nova York (NYSE), nesta segunda-feira (29), a mineradora deu indicações de quais serão os próximos passos na trajetória da companhia. O diretor-presidente, Eduardo Bartolomeo, abriu o evento reforçando que a prioridade permanece sendo a reparação de Brumadinho de forma justa.

Além disso, o executivo ressaltou que ser uma empresa atenciosa ao desenvolvimento de comunidades autônomas, engajada em temas relevantes para a humanidade e comprometida com a mineração sustentável são outras metas da companhia.

Metas sociais

Para tanto, a Vale definiu três metas sociais para 2030: figurar entre as três empresas do setor mais bem posicionadas nos requisitos sociais; retirar 500 mil pessoas da pobreza extrema; e colaborar com as comunidades indígenas vizinhas as operações da Vale na elaboração e execução de seus planos em busca de direitos previstos na ONU.

Ao divulgar as ambições sociais para os próximos anos, a Vale afirmou que quer ser parte da solução e pretende reduzir a extrema pobreza em parceria com outras empresas, com organizações não governamentais e com governos de países onde está presente. A ideia não é só tirar as pessoas da pobreza severa, mas mantê-las fora dessa realidade.

Segundo Bartolomeu, a Vale tem um histórico de engajamento e apoio social e um papel relevante nas localidades onde atua, mas pretende fazer mais. Para isso, o executivo explicou que a empresa quer possibilitar o desenvolvimento e a autonomia das comunidades com as quais se relaciona, a partir do tripé educação-saúde-renda.

A Vale está convencida que os investimentos permitem criar base “sólida” para o crescimento confiável da empresa. Possibilita ainda reduzir a percepção de risco que a mineradora passou a enfrentar depois da tragédia de Brumadinho (MG), em 2019.

Representatividade

A Vale antecipou para 2025 a meta de atingir 26% de representatividade de mulheres na força de trabalho. Atualmente, o percentual é de 18,7% contra 13,5% em 2019, quando a companhia firmou a meta para mulheres dentro de uma estratégia de diversidade global.

Além disso, a mineradora anunciou ainda que pretende alcançar 40% de empregados negros em funções de liderança no Brasil até 2026, contra 29%, número registrado após a realização de um censo autodeclaratório com os empregados no Brasil.

Carbono zero

Em busca da neutralidade de carbono até 2050, a Vale ainda tem como meta reduzir as emissões de escopo 1 e 2 em 33% até 2030. Além disso, já em 2025, toda a energia utilizada no Brasil será renovável, meta que será alcançada globalmente em 2050. No âmbito florestal, até 2030, o objetivo é proteger e recuperar 500 mil hectares.

Em relação a emissões no Escopo 3, importantes avanços aconteceram, por meio de parceria e engajamento com clientes e fornecedores passos foram dados para descarbonização da indústria siderúrgica e para redução das emissões na navegação.

Minério de ferro

No minério de ferro, carro-chefe da empresa, o desafio está em deixar de ser vista como uma “proxy”, uma espécie de espelho, da commodity. Quando o preço do minério sobe, a ação da Vale vai junto. Por isso, a Vale quer ser uma empresa de “soluções metálicas”, e deixar de ser vista como uma mineradora de minério de ferro.

Outra aposta está no briquete verde, produto que, nos cálculos da companhia, poderá reduzir em até 10% a emissão de gases de efeito estufa na produção de aço. O briquete reduz a dependência da sinterização, processo que demanda uso intensivo de combustíveis fósseis na produção siderúrgica. É um produto novo, mas com potencial.

Metais básicos

No que diz respeito aos metais básicos, a mineradora teve muitos desafios em 2021. Para 2022, há marcos importantes em direção a recuperação do desempenho. Para entregar a produção de cobre, o plano é estabilizar a produção das minas do Atlântico Norte, melhorar a movimentação na mina de Salobo e realizar a manutenção no moinho de Sossego.

A Vale segue avançando na entrega do projeto “Salobo 3” em Carajás, e continua empenhada em novos projetos na região, tal como o projeto “Alemão” que, uma vez implementado, deverá adicionar uma produção anual de cerca de 60 kt de cobre por ano.