Brasil é um dos países que mais devem sofrer impacto com PIB da China desacelerado

A consultoria Natixis analisou 29 economias de vários continentes e considerou a participação das exportações desses países no PIB chinês

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A desaceleração econômica da China terá um “choque negativo significativo” para os países da América Latina, em especial Brasil e Chile, avaliou a Natixis. No levantamento, a consultoria analisou 29 economias de vários continentes e considerou a participação das exportações desses países no Produto Interno Bruto (PIB) chinês.

Embora o crescimento global deva ser afetado como um todo, a economia brasileira deve ser uma das maiores prejudicadas. Afetada por uma crise de energia, interrupções nas cadeias de abastecimento, surtos da variante delta do coronavírus e a crise no setor imobiliário, a economia chinesa cresceu em ritmo mais lento no terceiro trimestre.

Segundo o analista Patrick Artus, Brasil e Chile estão entre os países mais sensíveis à desaceleração econômica chinesa, com as exportações totais para a China representando 3,32% e 7,93% como porcentual do PIB chinês em 2019. Ele observa ainda que a elasticidade das vendas brasileiras e chilenas sobre o crescimento econômico chinês é alta.

Dados divulgados nesta segunda-feira (18) mostram que o PIB do país asiático cresceu 4,9% de julho a setembro, o ritmo mais fraco desde o terceiro trimestre de 2020 e desacelerando 7,9% em relação ao segundo trimestre. O resultado demonstrou uma desaceleração em relação à expansão de 18,3% no primeiro trimestre.

Para Artus, é provável que o crescimento da China seja enfraquecido pelo envelhecimento da população, pela cautela na demanda das famílias e nos investimentos, além da crise do setor imobiliário. Segundo ele, alguns países da África, Alemanha e países produtores de petróleo e do sudeste asiático também devem sentir um impacto mais negativo.

Os efeitos da perda de fôlego na China já estão aparecendo e vão continuar, avaliou Roberto Damas, professor de economia do Insper. Ele ressaltou os projetos de mudança da matriz energética do país para alternativas mais limpas, fez com que o governo desativasse minas de carvão, gerando uma crise de energia e atrapalhando o desempenho.

A economista Laura Pitta, do Itaú Unibanco, acrescentou que pesou sobre a China o impacto nos serviços da variante delta, que se espalhou rapidamente pelo país. Segundo ela, como a China tem uma política de tolerância zero para novos casos de Covid-19, o governo adotou medidas de restrições que tiveram impacto na atividade.