Anac confirma recorde de transporte de carga aérea

O recorde pode ter sido motivado pela falta de contêineres no transporte marítimo

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De acordo com a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), cresceu significativamente a busca por transporte de carga internacional de em aviões. Neste ano, até agosto, o volume de carga transportada do exterior para o mercado brasileiro do país para fora, chegou a 625,7 mil toneladas. Em comparação a 2019, o montante representa alta de 13,5%.

Mas qual o motivo para a disparada na procura? Se comparados o modal mais barato, explica-se o aumento, isso devido à falta de contêineres no transporte marítimo, que é mais barato. Este é período que mais revelou retorno positivo de empresas nos negócios após o extenso tempo recuando por conta da pandemia.

Latam

Os números desse ano superam os números registrados em 2019. A Latam lidera no mercado de transporte de encomendas internacionais. A Anac revela que em agosto, somando Latam, Lan Chile, Absa e Lan Cargo, ela conquistou 16,4% desse mercado. Logo após a Latam, tem a Atlas, a americana registra 12,2%, enquanto a Korean Air Lines, no terceiro lugar, teve 5%.

Para a Latam, o período pode ser considerado bom, a empresa tem a maior demanda por transporte internacional, mesmo em recuperação judicial. No segundo trimestre, ela cresceu 37,5% na receita de carga global, se comparado ao mesmo período de três anos atrás, somando US$ 370 milhões, por outro lado, receita de passageiros recuou 77% em igual base, para US$ 455 milhões.

Para o diretor da Latam Cargo, Otávio Meneguette, já entraram em alta temporada, tanto para atender o Natal e também, na América do Sul, tem a época de frutas. Hoje, os cargueiros estão com taxa de decolagem de ocupação superior a 90%.

Aumentar a capacidade

Diante dos bons resultados, a ideia é aumentar a capacidade ofertada, a empresa pretende voltar a usar aviões da frota que estão parados, como, por exemplo, os Boeing 777 e 787.

A Latam deseja aumentar a quantidade de voos a partir de outubro, 44 voos saíram do Brasil com destino internacional, mas deve chegar a 85. Parte da procura elevada veio com o desalinhamento da cadeia marítima. A falta de contêineres ainda é um problema grave, que afeta vários setores, explica Meneguette.

Segundo Luiz Carlos Moraes, presidente da Associação Nacional de Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), no mês passado, o setor automobilístico fez todo o possível para manter a cadeia de produção ativa.

Para atender produção tem áreas de logísticas trazendo peças por aviões, acionando toda a rede de fornecedores e as matrizes para ter um menor impacto.

Novas inaugurações

O aumento na busca por alta carga mudou os planos de muitas empresas brasileiras, a Air France-KLM teve de inaugurar uma rota semanal exclusivamente cargueira, com a inclusão do modelo Boeing 777-200F, com capacidade de 102 toneladas, entre São Paulo e Paris.

Inicialmente a rota era um projeto-piloto, relata a diretora de cargas do Air France-KLM para a América do Sul, Enrica Calonghi.

Logo nos primeiros meses do ano, a Air France-KLM registrou uma receita de 2,75 bilhões de euros, se comparado a 2019, a queda foi de 61%. A receita foi de 894 milhões de euros para o braço de carga, subindo 67%.

Segundo a executiva, o segmento de transporte de carga do Brasil é bastante diversificado. O agronegócio tem peso relevante, mais de 50% da capacidade dos voos de carga de São Paulo e Rio de Janeiro para a Europa são dedicados ao transporte de manga, mamão, figo e lima.