Brasil não mostra perigo quando o assunto é competitividade digital

Entre as 64 nações, o país ocupa a 51ª posição no ranking de Competitividade Digital 2021

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Segundo o ranking de Competitividade Digital 2021, o Brasil ainda se arrasta quando este é o assunto em foco. Entre as 64 nações, o país ocupa a 51ª posição. Em passos lentos, o país não avança o suficiente para se reposicionar competitivamente na economia digital.

Os países com maior destaque nessa corrida de posição são a China e os EUA, que estão bastante avançados na competição pela supremacia com estratégias bem divergentes, com implicações a longo prazo para o domínio econômico global e o bem-estar nacional, dados obtidos pelo relatório publicado pelo IMD, escola de administração de Lausanne (Suíça).

Indústria atrasada

De acordo com o professor Carlos Arruda, da Fundação Dom Cabral, parceira no estudo, a sociedade brasileira tem consciência do peso do digital, mas a indústria está atrasada nessa área no processo de produção e a insuficiência de formação técnica continua pesando no país.

Seguindo a ordem abordada no relatório, os fatores avaliados são: conhecimento, abrangendo a infraestrutura necessária para a aprendizagem e descoberta de novas tecnologias. Tecnologia, avalia o panorama nacional para o desenvolvimento de tecnologia digitais, e, por último, prontidão futura, uma economia preparada para incorporar novas tecnologias.

Nos últimos quatros anos, a China sempre sobe uma posição no ranking mundial, mas a liderança fica por conta dos EUA. Apostando em investimento na educação científica, pesquisa, robótica e exportações de alta tecnologia, a Ásia Oriental ultrapassou a Europa Ocidental e a América do Norte.

Diferentes e parecidos

Em relação às medidas de competitividade digital como transferência de conhecimento, prontidão comercial e investimento educacional, A China e os EUA se igualam. Os outros países exportam os dados que a dupla importa. Mesmo muito parecidas em alguns quesitos, buscam transformações digitais bastante diferentes.

O IMD acredita que exista um motivo para o sucesso dos EUA, que se baseia na prevalência domestica da tecnologia e na confiança empresarial no capital de risco acessível. Já a China, tem seus critérios de destaques, tais como, expansão de desempenho científico e educacional, P&D altamente produtivo e uma participação global crescente de exportações de alta tecnologia.

Os EUA investem bem mais em educação que a China, percentual com proporção do PIB (6% contra os 3,5% da China), mas, vale ressaltar, que na alfabetização matemática, a China ocupa o topo no ranking (os EUA ocupam o 36° lugar).

Telecomunicação

O Brasil se equipara no total de ganhos com investimentos em telecomunicações em proporção ao PIB (0,5 % em 21°), o país alcançou 17 posições, além de investir pesado em treinamentos para os funcionários das empresas (de 59° para 43°).

De acordo com a Fundação Dom Cabral, as assinaturas de banda larga foram o carro chefe para a lista de principais perdas (de 89,2% da população para 5,7%; da 23ª para a 30ª), no total de gastos em P&D em proporção ao PIB (de 1,26% em 2016 para 1,17% e 2018; da 31ª para a proporção 35ª posição) e também na proporção dos usuários de internet.

A FDC ressalta que embora o país seja o 12° que mais investe em educação, o Brasil se encontra entre os piores resultados no Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA).

Exigências do mercado

Destaca também que o país não tem capacidade de reter e atrair mão de obra qualificada, fundamental para o progresso tecnológico o alinhamento da força de trabalho com as atuais exigências do mercado.