Alcoa vai retomar produção de fundição de alumínio em usina no Maranhão

A Alumar, fundição inativa desde 2015 em São Luís, vai produzir seu primeiro metal fundido no segundo trimestre do ano que vem

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Alcoa anunciou que vai reiniciar as operações de fundição de alumínio na usina Alumar, em São Luís, no Maranhão, paralisadas desde 2015. Os trabalhos para reativar a usina vão começar imediatamente e a multinacional americana prevê que os primeiros lotes de produção ocorram no segundo trimestre de 2022.

Para tanto, a companhia vai investir R$ 400 milhões. A Alcoa estima que a nova capacidade de 268 mil toneladas será alcançada no último trimestre de 2022 – antes, a Alumar era apta a fazer 450 mil toneladas. Para a retomada, serão contratados 750 novos empregados, os quais se somarão aos 850 que já trabalham na refinaria.

Fundição competitiva

Em nota à imprensa, John Slaven, diretor operacional da Alcoa, explicou que a retomada é uma decisão baseada na análise de que a fundição pode ser competitiva nos ciclos, ajudada por ser um empreendimento conjunto, com força de trabalho robusta e acordos competitivos de energia renovável.

O custo total do reinício das operações será de US$ 75 milhões, já o impacto no balanço no próximo trimestre será de até US$ 20 milhões. A volta da produção na Alumar, por ora, é um caso isolado. A partir de 2015 foram fechadas 788 mil toneladas em capacidade instalada no país, segundo a Associação Brasileira do Alumínio.

Preço do alumínio

O preço do alumínio, que é usado em tudo, de carros a latas de cerveja, dobrou nos últimos 18 meses e estão em torno da maior alta em 13 anos, transformando a sorte de uma indústria de longa data. À medida que as economias se recuperam lentamente do choque da Covid-19, a demanda por alumínio volta a crescer.

Colin Hamilton, analista de commodities da BMO Capital Markets, afirmou que o mercado de alumínio continua apertado, com baixa disponibilidade de metal devido aos cortes na produção chinesa, atrasos nos portos e problemas de transporte. Espera-se que a demanda global de alumínio cresça gradualmente com a demanda “verde”.

Produção na China

A produção da China foi atingida pela seca e um aumento nos preços do carvão térmico, uma vez que as usinas hidrelétricas e termelétricas estão encontrando dificuldades para aumentar a geração de energia, dado o objetivo do presidente Xi Jinping de reduzir as emissões.

Xi espera que as emissões da China atinjam o pico antes de 2030 e tendam para baixo até que o país alcance a neutralidade de carbono em 2060. A produção do metal, que responde por cerca de 4% das emissões totais de carbono do país, é uma das indústrias, junto com o aço e o cimento, que devem conter as emissões.

Um dos desafios é o aumento dos preços da energia. Outros grandes consumidores de energia também estão se expandindo, aumentando ainda mais o risco de cortes de energia. Uday Patel, analista da Wood Mackenzie, afirmou que o impacto aumentará o custo de produção para as fundições, o que sustentará ainda mais o preço.