Expansão das fintechs e criptoativos traz desafios para prevenção à lavagem de dinheiro

Federação Brasileira de Bancos realizam o 11º Congresso de Prevenção à Lavagem de Dinheiro

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A expansão das fintechs e dos criptoativos traz desafios adicionais para a prevenção à lavagem de dinheiro (PLD), afirmaram especialistas que participaram do 11º Congresso de Prevenção à Lavagem de Dinheiro e ao Financiamento do Terrorismo, promovido pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban).

Pierpaolo Cruz Bottini, professor da USP e sócio-advogado no escritório Bottini e Tamasauskas, comentou que se a desburocratização no sistema financeiro não for acompanhada de um maior cuidado, pode facilitar a prática de crimes, em diversos aspectos.

De acordo com o executivo, os progressos tecnológicos e regulatórios são inexoráveis e relatou que a familiaridade das fintechs com a tecnologia pode ajudar a tornar um pouco mais fácil o cumprimento das regras de PLD.

Exchanges de criptomoedas

Segundo Bottini, não pode facilitar a entrada do dinheiro sujo no sistema, porque quando ele entra, fica muito mais fácil ocultá-lo e dissimulá-lo. Nesse ponto, ele explicou que é preciso dar uma atenção maior às exchanges de criptomoedas, que podem ser essa porta de entrada no sistema financeiro.

O diretor-executivo do Bradesco, Moacir Nachbar Junior, afirmoh que os criminosos buscam o elo mais fraco. Desta forma, se houver duas casas vizinhas e uma delas é mais protegida, mas a outra não, ela pode ser invadida. A questão é que o bandido entra na casa sem proteção e depois pode pular o muro lateral e vir para a outra casa.

De acordo com Nachbar, não se trata de apontar o dedo para as fintechs, mas o sistema como um todo deve se unir para conscientizar os novos entrantes da importância da segurança.

Matias Granata, managing partner e diretor membro do Comitê Executivo no Grupo Itaú Unibanco responsável por Riscos, disse que o cenário mudou de forma radical nos últimos 18 meses, com a pandemia forçando uma maior digitalização.

Curva de aprendizado

Para Granata, os novos entrantes têm uma curva de aprendizado, mas a velocidade desse processo precisa ser maior. O diretor afirma que respeita o direito a ter uma curva de aprendizado, mas tem que ter outro nível, o catch-up precisa ser muito mais rápido do que se vê hoje em dia.

Ele lembrou que, até o ano passado, quando um banco identificava uma transferência suspeita, conseguia contatar a instituição que estava na outra ponta e barrar a transação. Atualmente, com o Pix, que é feito em 10 segundos, isso não é mais possível.

Granata acrescentou que a digitalização e a concorrência são bem-vindas, mas estão colocando em risco toda a robustez do sistema que construíram nos últimos cinco anos se não fecharmos o cerco.

Riscos e desafios

Para vice-presidente de Controles Internos e Gestão de Riscos do Banco do Brasil, Ana Paula Teixeira de Sousa, a expansão dos canais digitais traz desafios para observar e acompanhar as transações realizadas.

Ela afirma que nos próximos anos terão de estar sempre reavaliando a matriz de risco para que conseguirem ir mudando e alocando recursos onde os riscos estão aumentando. As moedas digitais, com sua dificuldade de rastreamento, trazem desafios adicionais.

Todos os participantes do painel relataram que os bancos e outras partes envolvidas deveriam ampliar a troca de informações, possivelmente criando uma espécie de birô centralizado, uma estrutura que respeite o sigilo bancário dos clientes, mas ao mesmo tempo permita esse maior compartilhamento de dados importantes.