Crise portuária com falta de navios e fretes altos não tem data para acabar

Isso significa preços altos e prováveis atrasos na chegada de produtos pelos próximos meses devido à disparada nos fretes marítimos

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A crise portuária, intensificada pela pandemia da Covid-19, que interrompeu as cadeias de suprimentos, ainda não tem data para acabar. Isso significa preços altos e prováveis atrasos na chegada de produtos pelos próximos meses devido à disparada nos fretes marítimos.

Além do descompasso entre oferta e demanda no mercado, há atrasos na liberação das cargas, eventos extraordinários (como o bloqueio do canal de Suez) e surtos de Covid-19, que provocam bloqueios na chegada de navios, afastamento de funcionários e fechamento de terminais.

Retomada gradativa

Segundo o diretor da FGV Transportes, Marcus Quintella, a retomada será uma “situação gradativa”. O executivo afirmou que ainda é difícil falar em estimativa de tempo para a retomada e que a previsão para se normalizar depende do comportamento da pandemia, já que ainda há muito receio da volta das atividades.

O mercado tem operado com escassez de contêineres e falta de navios em todo o mundo. Com o início da temporada de pico – o terceiro trimestre, em que empresas abastecem seus estoques para o fim de ano -, a situação não só deve se prolongar, como poderá se agravar, avaliam especialistas do setor.

Segmentos com contêineres

A crise afeta todos os segmentos que usam contêineres: calçados, vestuário, higiene pessoal, eletrônicos, equipamentos, alimentos, frutas, carnes refrigeradas, celulose, veículos. O problema, segundo especialistas, atinge principalmente os clientes que dependem do mercado “spot” (de curto prazo).

Atualmente, há 353 navios transportadores de contêineres parados fora dos portos pelo mundo, sem espaço para atracar, mais que o dobro do que no início do ano, segundo dados em tempo real da firma de logística Kuehne+Nagel.

Comércio internacional

Quintella reforçou que a pandemia trouxe uma “desorganização” na logística do comércio internacional, com congestionamento nos portos, valores de frete muito altos e impacto na cadeia, além das restrições entre portos. No Brasil, o comércio com a China foi o mais afetado, o que se reflete recordes nos fretes marítimos.

Nas rotas de importação vindas da China, o frete médio registrado em julho de 2021 foi 7,35 vezes maior do que há um ano, segundo a Logcomex. Atualmente, a rota Xangai-Santos apresenta custo de US$ 11 mil por contêiner de 20 pés, contra US$ 1.500 em agosto de 2020. É um nível histórico e que ainda não deve recuar.