Atleta de e-sports cria campanha contra o machismo

Gabriela Scheffer é atleta profissional de e-sports e criadora da hashtag #gamesempreconceito

Gabriela Scheffer (Foto: Reprodução)

O cenário de gamers tem tido cada vez mais forte a presença feminina. Mesmo diante do crescimento de mulheres à frente dos jogos, ainda é possível se deparar com cenas de preconceito e machismo partindo de homens dentro do mesmo universo ou até mesmo do público. Quem pode falar exatamente o que sentiu e, infelizmente, ainda sente, é Gabriela Scheffer, atleta de e-sports.

Ela iniciou nos jogos aos 7 anos e tem como principal influência seu pai, que também joga. Atualmente, ela tem 21 anos e diz ser totalmente apaixonada por esse universo, ela sempre o enxergou como algo legal e divertido.

Hoje, ela atua profissionalmente e já disputou competições de “Rainbow Six Siege” e venceu três delas. Gabriela foi eleita a melhor competidora no ranking no circuito feminino de 2020.

Mesmo fazendo o que ama, a jovem descobriu quem tudo são flores, dentro de sua profissão, infelizmente, ainda é muito comum se deparar com atitudes machistas. Ela afirma ter vivido situações horríveis e humilhantes.

Game Sem Preconceito

Em troca com outras jogadoras, ela percebeu o quanto isso é comum, sentindo na pele, ela viu a necessidade de criar algo contra esse tipo de situação que fazia com as meninas ali sentissem como se não pertencessem àquele lugar. Foi daí que nasceu a ideia da campanha “Game Sem Preconceito”.

O universo de games requer esforço e dedicação, por isso, a rotina de Gabriela é bastante puxada. Ela diz acordar cedo e treinar oito horas todos os dias. A dedicação é integral, ela diz ser totalmente focada em sua carreira.

Nervosa e abalada

Numa das primeiras vezes que fui agredida on-line, eu estava jogando com meu pai e um outro jogador, ao perceber que eu era mulher, começou a dizer coisas terríveis, usou palavras de baixo calão e disse que eu deveria lavar louças em vez de jogar.

A partir dali fiquei muito nervosa e abalada, conta. Seu pai interviu, a defendeu e a acalmou, mas mesmo assim, Gabriela não deixou de se sentir constrangida e extremamente mal.

Gabriela relata que a maioria dos afrontes e agressões verbais são de homens que descobrem que por trás da tela tem uma mulher jogando. Por meio das redes sociais, a atleta teve acesso as outras meninas que passam pela mesma situação, são xingadas e agredidas verbalmente.

#gamesempreconceito

Isso acendeu a chama de buscar respeito em nome de todas as mulheres do e-sports. No início do ano ela levantou a hashtag #gamesempreconceito para que toda a galera da internet usasse, além disso, ela criou um vídeo compartilhando situações vividas por todas elas dentro dos jogos.

Segundo ela, o projeto mostra a nossa realidade e o que enfrentamos por gostar de games. Expõe também a quantidade de mulheres que jogam e que muitas vezes precisam se esconder atrás de nicknames masculinos para poderem jogar sossegadas. A receptividade em relação ao projeto foi boa. Muitas pessoas abraçaram essa iniciativa e vivenciaram o projeto comigo, tanto homens como mulheres.