Empresa de Bezos processa governo dos EUA por contrato entre Nasa e SpaceX

Movimento aumenta a aposta em um outro impasse sobre o programa multibilionário de aterrissagem lunar

Foto: Reprodução

A guerra entre a Blue Origin e a Nasa ganhou mais um capítulo. Nesta segunda-feira (16), a empresa de Jeff Bezos levou sua luta contra o programa Moon da agência espacial norte-americana ao tribunal federal. O movimento aumenta a aposta em outro impasse sobre o programa multibilionário de aterrissagem lunar.

Há cerca de um mês, a companhia vem travando uma batalha para ganhar uma parte dos fundos do módulo lunar que foi dado apenas à rival, a SpaceX, de Elon Musk. A reclamação da Blue Origin, apresentada ao Tribunal de Reclamações Federais dos Estados Unidos, foi encoberta por uma ordem de proteção.

Outra pausa processual

Segundo informações do The Verge, o processo da companhia pode desencadear outra pausa processual no contrato da concorrente e adicionar um novo atraso à corrida da Nasa para pousar astronautas na Lua até 2024.

Detalhes do processo não estão disponíveis publicamente porque os documentos estão selados, mas, em nota, a Blue Origin afirma que é uma “tentativa de remediar as falhas no processo de aquisição encontradas no Sistema de Aterrissagem Humana da Nasa”.

Quando começou

Tudo começou em abril de 2020, quando a Blue Origin, a SpaceX e a Dynetics foram escolhidas pela Nasa para competir entre si no desenvolvimento de veículos de pouso para o programa Artemis. Cada empresa apresentou uma proposta e a Nasa alocou um valor determinado conforme o nível de cada projeto.

Na época, o da Blue Origin era o que estava em estágio mais avançado. Com isso, a empresa recebeu US$ 579 milhões para desenvolver um Veículo Integrado de Pouso, com um módulo de três estágios que poderia ser lançado pelos foguetes New Glenn, da própria empresa, ou Vulcan, da United Launch Alliance (ULA).

Surpresa na escolha

Entretanto, ao anunciar sua escolha em abril deste ano, a Nasa surpreendeu e escolheu apenas a SpaceX, com um contrato de US$ 2,9 bilhões (R$ 15,2 bilhões). Segundo o jornal norte-americano The Washington Post, a proposta da empresa foi escolhida por ser “de longe era a que tinha o menor custo”.

Então, a Blue Origin e a Dynetics entraram com uma reclamação contra a Nasa no Escritório de Responsabilidade Governamental dos EUA. Elas alegam que a agência violou os termos originais da competição, pelos quais deveria selecionar mais de uma empresa, escolhendo as melhores propostas para o fornecimento de equipamento mediante concorrência igualitária.