Empresas da Bolsa brasileira retomam bom desempenho e dobram lucro no 2° trimestre

Dez delas passaram de R$ 52 bilhões para R$ 110 bilhões

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Bons ventos sopraram em direção a algumas empresas, que viram seus lucros dobrarem como há muitos anos não acontecia. De acordo com um levantamento do Estadão/Broadcast, já no início do segundo semestre deste ano, dez negócios entre os maiores da Bolsa brasileira passaram de R$ 52 bilhões para R$ 110 bilhões, os números foram comparados ao mesmo período do ano passado, que se multiplicaram por dez.

O levantamento aponta as empresas que já divulgaram seus resultados: Petrobras, Vale, Itaú, Bradesco, Weg, Ambev, Gol, Brakem, Telefônica e Usiminas. Os números só voltaram a crescer após a retomada da economia e restrições da pandemia, com isso, cresceram juntos a alta dos preços das commodities e câmbio favorável à exportação, fatores importantes para o bom desempenho das gigantes brasileiras.

Fatores externos

Rafael Cagnin, economista do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) pontua que vários fatores externos contribuíram para o desempenho favorável das empresas, como a puxada forte dos preços por escassez de alguns itens e a desvalorização do câmbio. Ainda se vive o processo de resgate de padrões de rentabilidade anteriores à crise.

Entre os meses de abril e junho, a Petrobras e a Vale desempenharam um ótimo trabalho que garantiu à petroleira R$42,8 bilhões e para a mineradora R$40,1 bilhões. Mesmo diante do bom desempenho, a Petrobras se manifestou dizendo que boa parte da geração de caixa ainda é destinada ao pré-pagamento da dívida.

O estrategista-chefe da Guide, Luisa Sales explica os resultados das empresas de commodities vão trazer crescimento para o Brasil. Esse efeito é um dos componentes por trás das previsões de avanço em torno de 5% do PIB em 2021. A elevação no lucro obtido pelo Itaú Unibanco elevou a perspectiva de crédito que pode influenciar o crescimento de até 11,5%.

Avanço da economia

O esperado com mais pedidos de financiamentos é avanço da economia, mas, em contrapartida, existe a alta do custo, o cenário se prepara para a permanência de inflação elevada, por isso, o Banco Central acelerou o ritmo de alta na taxa básica de juros e as projeções indicam uma Selic próxima a 8% no fim do ano.

De acordo com o coordenador do Centro de Estudos de Mercado de Capitais da Fipe (Cemec-Fipe), o setor de papel e celulose está investindo pesadamente, a siderurgia se movimenta para ir na mesma linha e a indústria de construção está em plena decolagem, mas ainda tem uma parcela considerável em que as indicações não são nessa direção. Como exemplo, ele cita as indústrias de moda, confecção e calçados.