Facebook desativa contas de pesquisadores sobre desinformação na rede social

Plataforma afirmou que pesquisa 'não pode ser justificativa para comprometer privacidade'

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Devido aos avanços na investigação contra desinformação na rede social, pesquisadores do NYU Ad Observatory foram banidos do Facebook. O projeto tinha como objetivo coletar informações e encontrar a origem dos anúncios políticos pagos na plataforma, redirecionados para centenas de pessoas.

A plataforma justificou a decisão afirmando que o grupo desrespeitou as regras sobre raspagem de dados e comprometeu a privacidade de seus usuários. Já os profissionais relatam uma tentativa de silenciamento e dizem ter encontrado falhas na plataforma que dão margem para a propagação de fake news.

Acesso retirado

O Facebook retirou o acesso dos acadêmicos às APIs, um conjunto de ferramentas para compartilhar dados da rede social com outros serviços, desabilitou acesso a alguns aplicativos e removeu páginas associadas à pesquisa. A rede social disse que reforçou várias vezes suas preocupações com privacidade para a NYU, mas não foram considerados.

O projeto que os pesquisadores desenvolveram consiste em um plug-in denominado Ad Observer, uma extensão ligada ao navegador do usuário que analisa os anúncios destinados a eles. Segundo o informe do site oficial, não há coleta de dados pessoais de quem o usa.

Sendo assim, a privacidade do usuário não é comprometida e é possível realizar o objetivo de maneira viável. Aquilo que é recolhido da experiência pessoal de cada usuário é usado para estabelecer um relatório e divulgar para a imprensa, explicou a universidade.

Multa de US$ 5 bilhões

A Comissão Federal de Comércio (FTC) dos Estados Unidos multou o Facebook em US$ 5 bilhões pelo caso e exigiu novos controles de privacidade. A empresa afirmou que é necessário restringir os pesquisadores da Universidade de Nova York por causa das diretrizes da FTC, algo que é contestado pelos acadêmicos.