Mulheres negras em busca de conquistar o mercado de tecnologia

Os dados revelam que apenas 39% dos profissionais destas empresa são pessoas pretas ou pardas

Foto: Reprodução

O universo da tecnologia, em sua maioria, ainda é representada por homens e brancos. Mas, para quebrar esse paradigma, mulheres negras tem se tornado cada vez mais presentes na área.

A pesquisa #QuemCodaBR, feita em parceria por PretaLab e ThoughtWorks, mostra a realidade de empresas tecnológicas quando apura a sub-representação de gênero e raça neste mercado.

Os dados revelam que apenas 39% dos profissionais destas empresa são pessoas pretas ou pardas, enquanto a maioria é correspondida pelo público masculino, com 48,2% da população, quando o número total corresponde a 68,3% dos profissionais da área.

Mulheres unidas

Para que essa realidade mude, mulheres negras vem se juntando a fim de inserir outras mulheres negras no mercado tecnológico. Unidas, elas chegam até a pagar pelos estudos de aspirantes da área.

A filósofa afro-americana Angela Davis pontua que quando a mulher negra se movimenta, toda a estrutura da sociedade se movimenta com ela. A realidade na colocação da filósofa pode ser notada nos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), entre o período de 2016 a 2019, a presença de mulheres negras no mercado tecnológico cresceu 0,6%, por outro lado, caiu o número de mulheres brancas, homens negros e homens brancos na área.

A coordenadora do projeto Vai na Web, Cris dos Prazeres revela que mulheres negras entrando no mercado da tecnologia é quase criar uma fenda no rochedo para deixá-las entrar.

Cultura do sonho

O projeto “cultura do sonho” fomenta o desejo de mais mulheres participarem da área, a iniciativa surgiu em 2017 e oferece cursos, mentoria e bolsas na área de tecnologia. O número de formados pelo curso já ultrapassa a marca de 200 pessoas, 55% estão empregadas e 48% voltaram a estudar ou estão na universidade.

Temos uma geração de meninas que não se permitiam sonhar ou que não foram, na realidade, alimentadas para serem sonhadoras, acrescenta Prazeres. Patrícia Gonçalves, gestora do UX para Minas Pretas (UXMP) e redatora de UX no PicPay, diz que é bastante bocuda.

A redatora diz que ao ingressar no ramo, ela logo se deparou com o lado excludente e etilista do mercado ao ser bombardeada com palavras como “front-end”, “development”, “growth”. Segundo ela, as vezes se questionava se não haviam comunicação com palavras em português.

Superar dificuldades

Por fim, Gonçalves ressalta que não fosse pela comunidade de mulheres negras, em especial o UX para Minas Pretas (UXMP), não teria conseguido superar as dificuldades.

Elas tentam fazer com que a comunidade receba tudo do que mulheres como ela sentem falta no início de suas trajetórias: acolhimento, compreensão e senso de coletividade. Como o mercado está crescendo, é muito rotativo, então, você pode entrar muito fácil, mas ser demitido muito fácil também.