Inflação deve subir em agosto e frio é um dos fatores determinantes

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) se aproximará de 1%. Em julho, o aumento foi de 0,47%

Foto: Reprodução

Algumas regiões brasileiras estão passando por geadas de bastante frio, enquanto para alguns é sinônimo de felicidade, para outros, vai fazer diferença no bolso. Com isso, o consumidor deve se preparar para inflação e encarecimento dos alimentos in natura.

Alguns economistas ressaltam que pico do impacto deve ser observado em agosto, quando a alta de alimentação no domicílio dentro do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) se aproximará de 1%. Em julho, o aumento foi de 0,47%.

Alta do IPCA

Vale alertar que o clima deve impactar bastante na alta dos preços, mas de acordo o Banco ABC Brasil, Barclays e LCA Consultores a disparada na inflação não será exclusiva à chegada de geadas. O ABC Brasil destina o motivo principal à alta do IPCA em 2021 de 6,5%; a Barclays estima que a inflação chegue a 6,8% e o LCA diz que deve ficar entre 6,3% a 6,7%. O teto da meta é de 5,25%.

O economista do ABC Brasil, Daniel Lima diz que há expectativa de ascensão maior de serviços e de alimentação no domicílio, grupo que deve seguir pressionado nos próximos meses em razão das geadas. O aumento aguardado pela LCA é de 7% para o IPCA em 2021, enquanto ano passado era de 6,4%.

A chegada dinâmica trazida pelo IPCA-15 de julho ficou acima do que era esperado, chegando a 0,72%, junto a essa percentagem estão a percepção de maior risco energético, que deve manter os preços de eletricidade em patamares elevados por mais tempo e o aumento de riscos climáticos.

Pressionar os preços

As temperaturas excepcionalmente baixas que são esperadas para as próximas semanas em diversas regiões do país poderão pressionar os preços de muitos alimentos, afirmam economistas da LCA.

O economista-chefe do banco Alfa, Luís Otávio de Souza Leal observa que depois de subirem 18,2% no ano passado, os preços de alimentos em casa perderam espaço para bens industriais e tarifas administradas e deixaram de ser o carro-chefe da inflação este ano.

Os problemas climáticos recentes, que prejudicam culturas de curtíssimo prazo, com exceção do café, do milho e da cana-de-açúcar, não vai alterar essa tendência.

Leal pontua que os preços de tubérculos e de hortaliças e verduras, que estavam segurando a inflação, vão mostrar inversão no curto prazo, e o IPCA-15 de agosto deve vir mais salgado. Em seus cálculos, os alimentos no domicílio vão subir 0,6% no IPCA deste mês, e perto de 1% na prévia de agosto.

Aumento no preço da carne

O economista da Greenbay Investimentos, Flávio Serrano diz que como as geadas prejudicaram a segunda safra do milho, seu efeito sobre a inflação de alimentos pode ser um pouco mais permanente, embora indireto. Ele lembra que o grão é de insumo para ração animal, o que pode resultar em preços mais elevados de carnes nos próximos meses.

As geadas vão fazer as culturas de curtíssimo prazo não ajudaram tanto a inflação como vinham ajudando. Esse conjunto de preços estava em queda e pode ficar ligeiramente positivo em julho. Mas ainda há deflação de cereais, como arroz e feijão, observa Leal.

De acordo com Roberto Secemski, economista-chefe para Brasil do Barclays, os riscos nas projeções de 67% e 3,8% para a inflação de 2021 e 2021, respectivamente, são para cima. Ele alerta que existe a possibilidade de aumento adicional nas tarefas de eletricidade e de que a inflação de serviços acelere com mais força.