Estudantes criam dispositivos tecnológicos que auxiliam deficientes visuais

Bengala sônica, pochete inteligente, bonés e acessórios são dispositivos que devem oferecer mais autonomia aos deficientes visuais ou com baixa visão

Foto: Reprodução

Por meio de inteligência artificial, o TIA Tecnologia da Informação para Acessibilidade é uma promessa que desencadeia expectativas nos deficientes visuais ou com baixa visão. Juntos, os professores Miguel Carvalho e Alexandre Louzada, dos cursos de Tecnologia da Informação da Universidade do Grande Rio (Unigranrio), estão aperfeiçoando um projeto que promete autonomia a esse grupo.

Pós criação do projeto, eles iniciaram a aplicação em suas aulas, a ideia é que os alunos participem e, unidos, novas ideias surjam, a fim de proporcionar melhorias para o futuro dos dispositivos. Os estudantes participam do projeto por meio de uma disciplina aplicada pelos professores.

TIA

TIA é um software que já é capaz de calcular distâncias, reconhecer comandos de voz, diferenciar pessoas e objetos, reconhecer rostos e expressões faciais, além de fazer pesquisas e outras coisas.

Carvalho relata que a deficiência está muito na relação da pessoa com o ambiente. Assim, acreditam que deficiente não é pessoa, mas sim os meios que dificultam o exercício da autonomia.

Por trabalhar com tecnologia, entendem que é responsabilidade suas ajuda a criar soluções para diminuir os obstáculos e melhorar a vida dessas pessoas.

Bengala sônica

Um dos alunos da disciplina, Diego de Souza cita uma das aplicações da tecnologia, a bengala sônica, por meio dela, é possível avisar sobre a proximidade de obstáculos, isso acontece por vibração.

O estudante compara ao mesmo princípio que os morcegos usam para voar. Ela tem um sensor que emite sinais ultrassônicos inaudíveis para humanos e, com base na reflexão desses sons, consegue descobrir se existe um obstáculo à frente e qual sua distância.

Os alertas começam a ser emitidos quando a bengala chega a 40 cm do obstáculo. Quanto mais próximo, mais ela vibra. A vibração aumenta, se tornando contínua a partir de 10 cm de distância, alertando para o máximo de proximidade.

As bengalas normais só conseguem alertar o usuário quando batem nos obstáculos, promovendo perigo maior, a bengala sônica serve para avisar antes das colisões, podendo assim evitá-las.

Pondo em prática

A teoria é sugestiva e atraente, mas a prática deixa tudo mais real. Para praticar, nada melhor que quem tem a deficiência possa opinar e contribuir com o aperfeiçoamento dos dispositivos. O estudante Daniel Alexandre da Silva, estudante de Biologia, foi pioneiro nos testes de eficiência, por meio dele, foi possível fazer alguns ajustes necessários.

Ele apareceu na sala há cerca de um mês querendo usar as invenções e realmente está usando tudo o que é produzido e os projetos avançaram muito rapidamente graças às suas sugestões, conta Carvalho.

Além da bengala sônica, um outro projeto que usa GPS já está sendo desenvolvido, ele deve facilitar a localização correta de onde está o usuário, além de indicar pontos dentro daquele mesmo ambiente. O dispositivo ficará dentro de um pochete com um mapa que terá essa serventia.

Criado por alunos, ele já funciona na faculdade. É possível saber onde está o banheiro, as salas de aula, as salas de cada professor. O sistema vai informando pelo fone de ouvido conforme a pessoa se locomove.

Bonés e outros acessórios

Louzada acrescenta que os alunos estão criando desenvolvendo bonés e outros acessórios com funcionalidades complementares. A ideia é que seja possível usar todos juntos de forma integrada no futuro.

Os planos de melhoria incluem comandos para a identificação de cores e rostos previamente cadastrados num banco de imagens. Hoje, o sistema já permite ações como identificação de expressões faciais para entender se o outro está triste, feliz ou bravo.

Quanto ao custo dos dispositivos, a ideia é que seja acessível ao público que precisa. A fim de manter essa linha econômica, os materiais utilizados são muitas vezes aqueles reciclados, como, por exemplo, uma bengala construída com um guarda-chuva. Por enquanto, o funcionamento é por bateria, mas a equipe já planeja que num futuro próximo, tudo funcione por energia solar.

Atualmente, para um bom funcionamento, tudo depende do celular do usuário que está testando os dispositivo, mas a esperança é que com a chegada do 5G, a conexão melhore.

Rolezinho do TI

O projeto, que é totalmente fora da casinha, tem redes sociais e até uma comunidade criada por professores, o Rolezinho do TI – nome sugerido por alunos -, foi pensado aproximar mais gente, agregar mais conhecimentos e atrair interessados ao tema.

Com a chegada da pandemia, o ritmo de aulas diminui. Mas, mesmo diante dos desafios, os professores não desanimaram, segundo eles, apesar de tudo, as notas melhoraram e os alunos ficaram mais participativos nas aulas.

Essa coisa de dar aula e passar o carro do ovo, ou ouvir criança chorando, vizinho brigando, vai criando um ambiente mais descontraído e de maior proximidade. O aprendizado passa por isso de ter momentos alegres, divertidos, conclui Carvalho.