Pandemia recua no país, mas é precipitado gerar expectativas sem vacinação em massa

a Organização Mundial da Saúde (OMS) pede cautela quando o assunto é festa de fim de ano, as comemorações ainda não devem ser confirmadas no país

Foto: Reprodução

O alerta aos cuidados com a pandemia e com a expectativa para as festas de fim de ano ainda é de extrema necessidade, mesmo diante do avanço – ainda que lento – da vacinação no Brasil.

Vacinar é uma gota de esperança para a sociedade, desde que as pessoas começaram a receber as primeiras doses das vacinas, se percebeu a diminuição de ocupação de leitos de UTIs. Vale ressaltar que a Organização Mundial da Saúde (OMS) pede cautela quando o assunto é festa de fim de ano, as comemorações ainda não devem ser confirmadas no país.

Melhora

Gulnar Azevedo, epidemiologista e presidente da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) relata que a melhora vista até agora pode ser atribuída à vacinação (12,5% da população está imunizada com duas doses ou dose única), mas dizer se esse processo é sustentável são necessárias mais algumas semanas de diminuição de internações e mortes.

As vacinas parecem pegar bem as variantes que estão circulando no país. Mas essa queda nos números tem que ocorrer por mais tempo de forma mais acentuada.

Gulnar acrescenta que se uma nova variante mais agressiva não aparecer e a vacina seguir no atual ritmo haveria uma perspectiva mais favorável no fim do segundo semestre. Mas é bem provável que as chamadas medidas não farmacológicas, como uso de máscaras e distanciamento social ainda sejam necessárias.

Incertezas

Diante da esperança de ser vacinado e se proteger contra o coronavirus, existe a incerteza relacionada às chances de comemorações em datas festivas. Não se sabe precisar um retorno de eventos com grande multidão.

Márcio Bittencourt, do Centro de Pesquisa Clínica e Epidemiológica do Hospital Universitário da Universidade de São Paulo (USP), diz que não vê todos os adultos acima de 18 anos vacinados com a segunda dose até o fim do ano, a despeito das previsões de autoridades federais e muitas estaduais e municipais. Isso implicaria uma pandemia ainda não controlada.

Bittencourt opina sobre a situação e diz acreditar na extrema baixa possibilidade das festas de fim de ano e muito menos de Carnaval. Para ele, o cenário não deve permitir que as comemorações aconteçam.

Superar expectativas

Há grande diferença em dizer que vai oferecer a vacina para todas as faixas etárias e todos os adultos tomarem de fato a vacina. Ele acrescenta, ainda, que se 80% da população adulta estiver vacinada com duas doses até dezembro vai superar sua expectativa, pontua.

Segundo dados do Conselho Nacional dos Secretários Estaduais de Saúde (Conass), a média móvel de sete dias de mortes cai desde o dia 20 de junho, quando atingiu 2.062. A de casos recua desde o dia 24 de junho.

Para Bittencourt, o sistema de saúde não deve explodir de novo. Ele não vê uma terceira onde. A melhora vai ser lenta e gradual. Além das mortes, as vacinas devem reduzir a curva de transmissão. Mas medidas de contenção seguirão necessárias, como distanciamento e máscaras, até o controle total da pandemia, conclui.