Indústria de materiais registra recorde no primeiro semestre do ano

É bastante provável que a projeção do crescimento real do setor salte de 4% para 8%

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A indústria de materiais de construção superou expectativas de quem não aguardava bom resultado do setor diante da crise em período pandêmico vivido pelo segmento, que teve de fechar diversas lojas por conta da baixa nas vendas.

É bastante provável que a projeção do crescimento real do setor salte de 4% para 8%, é o que aponta a Fundação Getulio Vargas (FGV). De acordo com presidente da Associação da Indústria de Materiais de Construção (Abramat), Rodrigo Navarro, se a estimativa for confirmada, o faturamento do setor ultrapassará R$ 200 bilhões.

Compra de materiais

O Valor entrevistou empresas que atuam no ramo e a maioria delas confirmou um ótimo desempenho no primeiro semestre do ano. Logo no início da pandemia, o isolamento social restrito exigia que as pessoas ficassem mais em casa, com isso, as reformas, cresceram e, junto com elas, veio a necessidade de compras de materiais, fator principal que impulsionou o aumento dos pedidos, fazendo com o que o setor registrasse esse recorde.

Pelo menos 22 segmentos do setor confirmaram expansão real de 24,4% no semestre. O acumulado de um ano subiu para 16,6%. Navarro relata que o otimismo é moderado, reforçado pela nova previsão. O mês de junho registrou expansão de 13,1%, fator determinante para a mudança de rota vivido pelo setor meados de 2020. A indústria está operando com 78% da capacidade, acima dos 70% pré-pandemia de covid-19.

Registro de crescimento

Mesmo diante da disparada do setor, as expectativas para os próximos semestres são medianas. É esperado que no próximos meses se note recuo. A Tigre, fabricante de tubos, conexões, ferramentas para pinturas, metais sanitários, torneiras plásticas, portas e janelas, registrou aumento além do dobro.

Sua concorrente, a Wavin, registrou crescimento de 30%. Também houve aumento de vendas na Vedacit, o faturamento chegou e 50% e o volume em 35%. A Basf, dona das marcas Suvinil e Glasu subiram 40% e a Lorenzetti registrou crescimento de 35%.

João Roberto Ximenes, diretor comercial da Vedacit espera que o faturamento cresça 38%, ante a projeção de 22%. Ele reforça que São Paulo está muito aquecido, assim como a região Sul. As vendas nos demais estados do Sudeste se estabilizaram e houve uma freada grande no Nordeste.

Vendas estáveis

Segundo Marcos Allemann, vice-presidente da Basf na América do Sul, o aumento de pelo menos 10%, estimado inicialmente, será alcançado mesmo se as vendas ficarem estáveis no segundo semestre, mas é esperado crescimento no período.

Para Otto von Sothen, presidente da Tigre, a expectativa de alta é de 12,5% da receita doméstica neste ano. Após o desempenho semestral recorde, a empresa já trabalha com aumento de 35% no Brasil. Em tubos e conexões, o crescimento ficará próximo de 40%, impulsionado também pelo agronegócio.

O atual trimestre tende a ser bem positivo em relação às vendas. O quarto trimestre, porém, é mais incerto, devido as questões macroeconômicas, como a fiscal. Mas a construção ainda está muito forte. A mudança de comportamento dos consumidores veio para ficar, aponta Daniel Neves, diretor-geral da Wavin no Brasil.