Pandemia requer que companhias antecipem planejamento de viagens de negócios

No Brasil, os voos só devem voltar ao normal assim que a maioria das pessoas estiverem vacinadas contra a Covid-19

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Se no Brasil os voos ainda estão acompanhando o ritmo da vacinação, que na maioria dos estados ainda está devagar, nos EUA, mais precisamente em Miami, a Avenue Securites vem agilizando o serviço de viagens de negócios dos executivos. Numa escala de 160 funcionários, 10% a 15% deles já voltaram a voar normalmente.

Roberto Lee, CEO da Avenue relata que aguarda esperançoso pela melhora dos voos e, para isso, torce pela rápida vacinação no Brasil. Segundo ele, há uma certa ansiedade de retomar encontros presenciais entre as empresas do país. Lee diz que os voos comerciais internos estão lotados.

Se sabe que para retornar ao antigo “normal”, é necessário planejamento e novos protocolos de segurança, sem que coloque a vida dos passageiros e da equipe em risco, aumentando as chances de contaminação e aumento de casos. A preocupação maior está relacionada à baixa imunização, até o momento.

Deslocamento

A sócia responsável pela área de mobilidade global de pessoas da consultoria KPMG, Janine Goulart explica que seja pela redução de custos, pela agenda ESG ou mesmo mudança de mentalidade na forma de trabalhar, todas querem monitorar mais de perto as viagens e entender em quais ocasiões é justificável um executivo se deslocar.

De acordo com a taxa de imunização, as empresas devem avaliar a necessidade de alguns voos, daqueles que façam mais sentindo. A Suzano, fabricante de papel e celulose, por exemplo analisa quais funções e tipos de viagens farão mais sentido. A empresa confirma a redução dos voos de alta liderança a quase zero. Os últimos meses foram aproveitados para testes de novos recursos, como ferramentas de videoconferência, por exemplo.

O diretor de RH da companhia, Argentino Oliveira avalia a situação explicando que os executivos vão visitar 11 fábricas, diretorias vão se encontrar mais com fornecedores e muito muito funcionário que ingressou remotamente vai conhecer a operação in loco. Há nuances que as reuniões on-line não capturam.

Assuntos delicados

Alexandre Bertoldi, sócio gestor do escritório Pinheiro Neto pontua que assim que as viagens retornarem, devem ser voltadas a fechamento de negócios, fusões e aquisições para decidir assuntos delicados. Para ele, é onde a proximidade presencial faz diferença. Mas a política de viagens vai passar por racionalização: o custo é alto e há também aspectos envolvendo tempo e energia no deslocamento.

Os brasileiros podem entrar em determinados países, mas vale lembrar que isso depende do bom senso, já que na maioria deles é exigido o cumprimento de quarentena. Segundo um levantamento do SkyScanner, divulgado em 7 de julho, foi revelado que três países estão abertos para brasileiros com restrições leves, 97 onde brasileiros podem entrar com restrições moderadas e 57 com restrições fortes, praticamente fechados.

Mesmo diante de incertezas em quase todos os setores, a Terra Santa Agro conseguiu driblar as adversidades trazidas pela pandemia de coronavirus. José Humberto Teodoro, CEO da empresa revela que conseguiram tocar uma transação milionária no fim de 2020, envolvendo mais de 40 reuniões com acionistas, executivos e advogados, sem uma única viagem ou reunião presencial.