Demissões em período pandêmico geram polêmicas para a Amazon

Os avisos começavam a serem passados por meio de e-mails, os funcionários que fossem acometidos da doença, pouco a pouco eram descartados.

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Por trás de uma gigantesca companhia com reconhecimento mundial, existe a Amazon que não se solidariza com seus funcionários que, por ventura, precisam de apoio – principalmente financeiro – durante períodos de doenças.

Assim que a pandemia de coronavirus se alastrou pelo mundo, diversas empresas não pensaram duas vezes em demitir equipes em massa, nem mesmo os testes positivos para a doença eram motivo suficiente para uma segunda chance.

Os avisos começavam a serem passados por meio de e-mails, os funcionários que fossem acometidos da doença, pouco a pouco eram descartados.

Avisos de remanejamento

Alberto, de 42 anos e trabalhando há cinco anos na empresa, logo que ficou doente, foi informado de seu remanejamento sem nem mesmo aviso prévio. Sua esposa foi quem recebeu o e-mail que dizia: notificamos seu gerente e o RH sobre seu retorno ao trabalho em 1° de outubro de 2020.

O que os superiores não sabiam era que o funcionário foi afetado por febres, além de sofrer extensos danos cerebrais. Antes da notificação, a esposa de Alberto já havia tentado contato alertando para a situação do esposo, que tanta se orgulhava de integrar aquela equipe, ele estava gravemente doente. A princípio, os benefícios estavam sendo pagos, mas com o passar do tempo, e sem notificação, o funcionário foi cortado de continuar os recebendo.

Os benefícios foram pagos logo após as várias tentativas de contatos da esposa de Alberto com o recursos humanos. Em um dos diálogos, ela dizia: eles não acompanharam o que aconteceu com ele [esposo]? Seus funcionários são descartáveis? Vocês podem simplesmente substituí-los? Alberto integrava a equipe de funcionários do armazém gigante em Staten Island que é único centro de fornecimento da Amazon para Nova York.

Enquanto gigantes “abandonam” funcionários, por outro lado, outras empresas reforçam suas atividades e remuneração, o JFK8, absorveu funcionários de hotéis, atores, bartenders e dançarinos, pagando quase US$ 18 por hora. Procurados pelo New York Times, o armazém JFK8 revelou que a empresa estava “vacilando” de maneiras que as pessoas de fora não podiam ver.

Impedindo a comunicação

Quando a pandemia parecia não acabar, os cercos iam se fechando, mais funcionários ficando doente e o caixa falindo, a Amazon iniciava o processo de demissões inadvertidas e benefícios paralisados e impedia a comunicação.

De maneira desonesta, os funcionários eram informados que poderiam tirar folgas não remuneradas e pagar com horas extras depois, mas assim que não iam trabalhar, o sistema processava e emitia avisos de abandono de empregos dos funcionários.

Funcionários do armazém e do RH revelam que a equipe responsável teve que correr para preservar as pessoas.

Por conta da pandemia e dos protocolos sanitários que exigiam distanciamento social, as empresas começaram a sentir a falta dos clientes, com isso, os números baixavam junto com a produtividade e a Amazon presumia que a culpa era do trabalhador.

Seres humanos ou ferramentas?

De acordo com um funcionário do quadro de feedback interno do JFK8 é muito importante que os gerentes de área entendam que os trabalhadores são mais do que apenas números. São seres humanos. Não são ferramentas usadas para fazer suas metas diárias.

Um estudo da Amazon revela que antes da pandemia, a empresa pedia cerca de 3% de seus funcionários horistas a cada semana, o que significa que a rotatividade entre sua força de trabalho era cerca de 150% ao ano. Jeff Bezos, CEO da companhia havia informado em abril que estava orgulhoso da cultura de trabalho da empresas, das metas de produtividade “alcançáveis” do pagamento e dos benefícios.