Saiba quais são os segmentos mais pessimistas com a retomada em 2021

O varejo de tecidos, vestuário e calçados é o que mais preocupa, até o momento

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A abertura das Sondagens do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre) alerta para setores com menores índices de confiança do mês de maio deste ano. Pelo menos sete, entre os dez segmentos, são do setor de serviços.

O varejo de tecidos, vestuário e calçados é o que mais preocupa, até o momento, o setor registra 69,6 pontos na média móvel de três meses. As médias trimestrais também foram impactadas desde o início da pandemia, atingindo a pontuação de 27,3 pontos abaixo do nível pré-covid.

Aloisio Campelo Jr, superintendente de Estatísticas Públicas do FGV Ibre observa que chama atenção que o segmento realmente evoluindo de forma menos favorável não e o de serviços. Isso porque o setor é o mais diretamente atingido pelo isolamento social. Mas diversas de suas categorias estão no “top 10” da menor confiança.

Depende de aglomeração

Ele acrescenta que o problema são os que dependem de venda presencial e, muitas vezes, de aglomeração, como restaurantes, hotelaria, outros serviços às famílias (academias, cabeleireiros, dentistas, etc.) e outros serviços de transporte, que inclui, por exemplo, o transporte aéreo.

O presidente da associação de lojistas de artefatos e calçados, Marcone Tavares explica que no varejo de calçados, em que 70% dos negócios são pequenos ou médios, a necessidade de alavancagem é grande, mas o espaço para negociação com a indústria e bancos está menor do que no início da pandemia. Para ele, durante a crise sanitária, pelo menos 30% do comércio calçadista do país já fechou as portas.

Fabio Bentes, economista da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) pontua que o grupo de tecidos, vestuário e calçados teve avanço de 13,8% na pesquisa mensal mais recente do IBGE, de abril, mas em março já havia apresentado retrocesso de 16,1%. Comparado a 2020, esse ano, somente em fevereiro, o volume de vendas foi quase 20% menor.

Vida social

Não é casual e rotineiro que as pessoas comprem vestuários e calçados, o impulso parte de ter vida social ativa, com a pandemia e sem vacina para todos, os gerentes da lojas revelam bastante dificuldade no setor. Nelson Tranquez Jr, vice-presidente da Câmara dos Dirigentes Lojistas do Bom Retiro, revela que mesmo com a vacinação em dia, ainda vai levar um tempo para que as coisas voltem ao normal, tem que recompor a cadeia.

A confiança baixa, de certa maneira, recua o comércio, diante disso, lojistas ficam com um “pé atrás” ao pensar em recuperação a curto prazo. Bentes diz que a economia estará melhor no segundo semestre, se não houver choques adversos, e a tendência é que as confianças reajam. Mas a reversão do cenário de curtíssimo prazo é pouco provável. Ele acredita que esses segmentos estão olhando para 2022.

Drástica

O segmento com segundo pior nível de confiança é do audiovisual. Antes mesmo da pandemia, o segmento já vinha travando impasses para a liberação de verbas do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA), mas com a chegada da pandemia, a situação só piorou. De acordo com Mauro Garcia, presidente-executivo da Bravi, entidade que reúne 675 produtoras pelo país, na produção, apesar dos protocolos sanitários criados, a redução nas filmagens foi “muito drástica”.

Campelo acrescenta mais dois segmentos bastantes pessimistas; o de edificações não residenciais e obras de instalações, como elétricas e hidráulicas. Segundo ele, com os juros baixos, há demanda por ativos físicos como imóveis residenciais, mas no comercial, tem a discussão se haverá ou não diminuição permanente da ocupação, dado o uso do trabalho remoto.