Estudo revela maior presença de MEIs no mercado durante a pandemia

Entre 2017 e 2019, o número chegava a 2,7%, enquanto de 2019 até março de 2021, a taxa era de 9,1%

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Um estudo realizado pelo Serasa Experian revela a permanência ativa dos MEIs (microempreendedores individuais) no mercado de trabalho desde o início da pandemia. Durante o crescimento de casos positivos para a Covid-19, o comércio on-line se consolidava e passava a ser mais resistente entre o público.

Em 2019, segundo aponta o estudo, a estimativa era de 10% iniciando seu próprio negócio, esses mesmos microempreendedores se mantiveram ativos nos últimos doze meses.

Diante de uma comparação baseada na taxa de ascenção dos microempreendedores individuais (MEIs) entre os anos de 2017 e 2019, o número chegava a 2,7%, enquanto de 2019 até março de 2021, a taxa era de 9,1%.

Upgrade de negócios

Para Luiz Rabi, responsável pelo estudo, aumentou bastante a fatia de microempreendedores que conseguiram fazer um upgrade de seus negócios por conta do desempenho financeiro muito positivo.

Rabi pondera que para chegar a este resultado, foi avaliado o faturamento de 700 mil MEIs entre abril de 2020 e março deste ano que estavam funcionando regularmente. O faturamento destes microempreendedores que ganharam impulso durante este período atingiam valores anuais de R$81 mil e R$ 6.750 mensais.

Os números apontam um total de 80% de MEIs dentro de uma estimativa de 3 milhões de empresas abertas anualmente no Brasil. O crescimento mais acentuado está voltado aos microempreendedores do comércio, estes representam 10,8% gerindo negócios maiores do que aqueles que iniciaram lá no início da pandemia.

Os microempreendedores de negócios ligados à indústria representam 7,9% daqueles que, hoje, estão à frente de grandes investimentos. Na produção rural e nos serviços, essas marcas foram de 6,8% e 8,4%, respectivamente.

Estímulos fiscais monetários

Um dos grandes responsáveis pelo incentivo que levou essas empresas a crescerem no mercado se refere aos estímulos fiscais monetários dados pelo governo para atenuar os efeitos da pandemia. Por conta das restrições mais rígidas e menor quantidade de pessoas visitando locais físicos, estes tributos forma direcionados ao comércio on-line.

Outros aliados são as redes sociais e canais de atendimentos, de acordo com outra pesquisa recente (nome não revelado), os empresários que passaram a usar esses canais para vendas representam 74%, com destaque para redes sociais, WhatsApp (72%), Instagram (44%), Facebook (36,7%) e shoppings virtuais ou marketplaces (24,7%).

Segundo o consultor Eduardo Terra, presidente da Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo (SBVC), antes mesmo da pandemia, os marketplaces já vinham passando por um processo de modernização ao criar vários serviços para os lojistas, como plataforma de pagamento, crédito e logística, por exemplo. A pandemia só colocou velocidade no processo de modernização para os marktplaces se tornarem ecossistemas, foi coincidência.

Novos negócios

O mundo de vendas e comércio on-line, até pouco antes da pandemia, ainda era incerto para muitos empresários ou até mesmo para aqueles que sempre estiveram em outras profissões, como Ana Paula Simões e o esposo Luciano Pereira de Godoy.

Godoy perdeu o emprego de carteira assinada em 2019, já eram 14 anos de carteira assinada como técnico de informática. Sem ter muitas opções, naquele momento, resolveu, junto à sua esposa criar um novo negócio que, segundo ele, eram alternativas para aumentar a renda.

Os dois, juntos, abriram um loja virtual para vender relógios de um fornecedor conhecido. Em abril de 2020, passaram para outro martketplace e, para a surpresa do casal, venderam R$ 50 mil em um mês e no outro também.