Funcionários trabalham mais e produzem menos com trabalho remoto, diz pesquisa

Estudo da Universidade de Chicago mostrou queda de 20% na produtividade durante a pandemia; a quantidade de reuniões pode ser o motivo

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O avanço na produção e distribuição de vacinas contra o coronavírus estimula o retorno dos trabalhadores aos escritórios justamente quando estudos sobre a eficácia do trabalho remoto apontam queda na produtividade dos funcionários.

Uma pesquisa do Instituto Becker Friedman, da Universidade de Chicago, comparou a produtividade de mais de 10 mil colaboradores de uma empresa de tecnologia da informação asiática no período entre abril de 2019 e agosto de 2020.

Com o auxílio de um software instalado nos computadores dos funcionários, os pesquisadores analisaram quais aplicativos e sites eram usados e se o trabalhador utilizava o teclado ou o mouse.

Como resultado, os analistas perceberam que o total de horas trabalhadas estava 30% maior em relação ao tempo antes da pandemia, e houve aumento de 18% nas horas extras.

O tempo de trabalho a mais, entretanto, não gerou aumento na produtividade, que caiu 20% ao levar em conta a produção por hora de trabalho, e não a opinião dos funcionários quanto ao próprio rendimento.

Os estudiosos observaram o tempo gasto pelos trabalhadores nas reuniões, chamadas de “horas de colaboração”, e as “horas de foco”, definidas como o período sem interrupções por ligações ou e-mails. Eles notaram que, embora os funcionários trabalhem por mais horas no home office, tinham poucas “horas de foco” em relação ao tempo antes da pandemia.

Os pesquisadores acreditam que as reuniões constantes estão relacionadas à dificuldade que os gestores encontram para administrar a equipe no trabalho remoto, com poucas avaliações, treinamentos e orientações – um indício importante, segundo eles, da ineficiência do processo.

No caso de funcionários com filhos, a situação é ainda mais complicada. Os pais chegam a trabalhar cerca de 20 minutos por dia a mais em relação aos colaboradores sem filhos, o que torna a produtividade ainda mais baixa. Entretanto, isso não significa que as empresas vão abandonar a ideia de adotar um formato de trabalho híbrido.

Os responsáveis pelo estudo reforçaram que a pesquisa foi conduzida em uma organização de tecnologia da informação onde a maioria dos trabalhadores tem formação universitária e atua no desenvolvimento de aplicativos ou soluções de software e hardware, trabalho desafiador para ser feito em home office, de acordo com eles.