Com segunda alta consecutiva, taxa selic alcança 3,5%

Aumento da Selic já havia sido indicada pelo Banco Central e era aguardada pelo mercado financeiro

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O Banco Central (BC) elevou, nesta quarta-feira (05), a taxa básica de juros do Brasil, a Selic, que serve de referência para operações de crédito e investimentos, em 0,75 ponto, para 3,50% ao ano, conforme esperado pelo mercado financeiro – segundo aumento consecutivo e de mesma magnitude da elevação de março.

No documento, o Copom afirmou “ser apropriada uma normalização parcial da taxa de juros, com a manutenção de algum estímulo monetário ao longo do processo de recuperação econômica”. A expectativa de alta fez com que a Bolsa operasse em alta na quarta-feira e o dólar apresentasse queda ante o real e fechasse a R$ 5,3680.

Em comunicado, o Comitê de Política Monetária (Copom) explicou que o aumento nos juros se deve à inflação de alimentos e bens industriais. Além disso, o Copom avaliou que o avanço da vacinação contra a Covid-19 deve impulsionar a recuperação da atividade econômica no Brasil ao longo do ano. O ritmo de crescimento da economia brasileira ainda é incerto, mas o nível de incerteza deve retornar à normalidade aos poucos, acrescentou.

Sobre a Selic

A Selic é a taxa básica de juros da economia. A cada 45 dias, a Selic vira notícia em todo o Brasil – seja por ter aumentado, diminuído ou se mantido estável após a reunião do Copom. Basicamente, ela influencia todas as demais taxas de juros do Brasil, como as cobradas em empréstimos, financiamentos e até de retorno em aplicações financeiras.

Em março, o Copom elevou a taxa de 2% para 2,75% ao ano, aumento além do esperado à época pelo mercado financeiro. Os analistas das instituições financeiras estimam que a taxa subirá mais nos próximos meses, atingindo 5,5% no fim de 2021, e 6,25% no fim de 2022. Os aumentos consecutivos sinalizam uma mudança de comportamento perante os juros, o que impacta toda a economia do país.

Ritmo mais forte

Com o novo aumento de 0,75 ponto percentual e de flexibilizar a indicação de ajuste parcial da taxa, o Copom fez muitos agentes do mercado migarem de um cenário de desaceleração do ritmo de aperto e passarem a contemplar um passo mais acelerado na normalização dos juros.

O Bank of America, por exemplo, manteve inalterada a projeção de Selic em 5% neste ano, mas passou a contemplar mais duas elevações de 0,75 ponto – em junho e em agosto -, e não mais três altas de 0,50 ponto. Para o ano que vem, a estimativa também foi mantida em 5,75%. O chefe de economia e estratégia do BofA no Brasil, David Beker, ressaltou que a Copom demonstrou pressa.

Segundo ele, um dos fatores que dão apoio ao cenário do Copom está na inclusão da frase relacionada ao mandato do BC, de que a decisão também implica uma suavização das flutuações do nível de atividade e fomento do pleno emprego. Isso indica, explicou o executivo, que o Copom não quer fazer aumentos nos juros que ‘matem’ a economia, mas sim uma normalização que, neste momento, considera que seja parcial.

Diante disso, o BofA alterou seu cenário de crescimento para o Brasil. A instituição financeira elevou sua estimativa deste ano de 3% para 3,4%, mas cortou a projeção para o PIB de 2022 de 3% para 2,1%. Para Beker, a economia ainda tem questões estruturais importantes pela frente. E, por isso, não teria motivo para ir muito além de 5,75% nos juros em 2022.