Vale toma a dianteira como companhia mais valiosa da América Latina

Em 23 de fevereiro deste ano, a Vale tomou a liderança da região e, atualmente, o valor de mercado da mineradora está em US$ 103,8 bilhões

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As ações da Vale atingiram um novo recorde no pregão e sustentam agora a cotação de R$ 110 por papel. Essa disparada, impulsionada pelos elevados preços do minério de ferro e a divulgação de um balanço sólido com forte geração de caixa, prevalece desde o ano passado e abre vantagem para a empresa no ranking das companhias mais valiosas da América Latina. 

Em 23 de fevereiro deste ano, a Vale tomou a liderança da região e, atualmente, o valor de mercado da mineradora está em US$ 103,8 bilhões, ficando à frente do valor do Mercado Livre (US$ 80 bilhões), WalMart México (US$ 56,9 bilhões), Petrobras (US$ 54,8 bilhões) e America Movil (US$ 48,5 bilhões).

Em meados do ano passado, o minério de ferro, principal produto de exportação da mineradora, saiu do patamar de US$ 100 por tonelada para se aproximar da marca de US$ 200 por tonelada. O impulso contou ainda com a forte geração de caixa e poucas dívidas no balanço da companhia, permitindo distribuição de dividendos ou programas de recompra de ações.

Há ainda os acordos firmados com as vítimas da tragédia de Brumadinho (MG), diminuindo os riscos jurídicos da companhia. Analistas ainda visualizam espaço para ganhos nas ações da Vale por causa do cenário global positivo para commodities, além dos descontos dos papéis da mineradora brasileira em relação aos pares globais. 

Nas ações da bolsa brasileira, o valor de mercado da Vale atinge a marca de R$ 581 bilhões. Esse valor é o dobro do da Petrobras, a segunda maior empresa brasileira na bolsa, com valor de R$ 298 bilhões. A lista de cinco maiores empresas em valor de mercado da bolsa brasileira é completada por Itaú Unibanco, Ambev e Bradesco, nesta ordem.

No entanto, ainda pesa para a companhia brasileiro o cenário macroeconômico local. Segundo o estrategista-chefe de mercados emergentes do BCA Research, Arthur Budaghyan, em entrevista ao Valor Econômico, as ações brasileiras estão mais baratas em relação às contrapartes globais por causa do prêmio de risco macroeconômico, devido a preocupações sobre a sustentabilidade da dívida pública. 

Os sinais vindos da empresa, porém, animam os investidores. Segundo o gestor de ações da Grou Capital, Tiago Sampaio Cunha, a execução do plano de retomada de produção tem sido impecável, o que passa confiança ao mercado de que esses volumes serão atingidos. Além disso, os dados de geração de caixa, combinados com um baixo endividamento, trazem a perspectiva de dividendos elevados e planos agressivos de recompra, tanto de ações quanto das debêntures participativas