Pós-pandemia: prédio flexível e inteligência artificial serão tendências em hospitais

As mudanças, se bem aplicadas, devem criar espaços mais resilientes e humanizados

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Da arquitetura ao atendimento, do design à tecnologia, da relação com o meio ambiente à com a vizinhança: a pandemia de Covid-19 mostrou como os hospitais estavam precisando de uma repaginada. As mudanças, se bem aplicadas, devem criar espaços mais resilientes e humanizados. Alguns exemplos foram apontados em relatório publicado pelos escritórios internacionais HKS Architects e Arup.

Pandemia: e agora?

Os escritórios apontaram sete princípios para um design de tratamento de saúde resiliente e preparado para enfrentar uma pandemia: versatilidade, expansão rápida, suporte ao bem-estar, limpeza eficiente do ar e superfícies, capacidades de isolamento, contenção e separação, fluxo e preparo para fazer transições do ambiente físico para o digital quando preciso.

A flexibilidade deve ser levada mais em consideração, como espaços que possam ser modificados de forma rápida e pouco dispendiosa, até quartos capazes de virar uma unidade semi-intensiva ou até UTI. Parte desses locais precisa, ainda, ter a possibilidade de ser expandida – ou encolhida – e até isolada em casos de doenças altamente contagiosas.

Com a pandemia de Covid-19, esse ponto se tornou uma fragilidade de muitos hospitais. A publicação reforça que a flexibilidade não se aplica só na parte interna. A adaptação do estacionamento fechado em área de testagem ou espera de infectados, isolando-os do restante dos pacientes, acompanhantes e profissionais, foi um exemplo citado no relatório.

Essa flexibilidade também pode ocorrer com a construção de paredes de madeira, gesso ou outros materiais mais facilmente retirados, ou com o uso de módulos. Entre as tendências, estão os “hospitais sem parede”, ideia de que o local funcionará também como um espaço digital além do físico, conectado aos pacientes por tecnologias de compartilhamento de dados, telemedicina e até atendimento em domicílio.

Tecnologia ganha espaço

No último ano, o volume de informações cresceu ainda mais por meio da telemedicina e boletins diários. O trabalho é reunir dados já coletados pelas unidades, como resultados de exame e sinais vitais, para criar um conjunto de informações que permita prever o possível desdobramento do quadro clínico e, assim, delimitar os encaminhados da triagem à alta.

A inteligência artificial trabalha com o auxílio do médico, não com substituição. A avaliação seria por comparações de pacientes com sintomas e perfil similares. O estudo aponta ainda que o big data deve auxiliar na gestão hospitalar, mostrando tendências e necessidades – da média de falta de pacientes em consultas até horários com mais necessidade de recursos humanos.