LinkedIn dá 15 dias de recesso a funcionários em mais de 200 países

Dos 15 mil funcionários que entraram em recesso de duas semanas, 180 são do Brasil

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Por meio da iniciativa Rest Up Week, o LinkedIn liberou colaboradores de mais de 200 países pelo prazo de 15 dias. Dos 15 mil funcionários que entraram em recesso de duas semanas, 180 são do Brasil. A empresa explicou que a decisão repentina foi tomada a fim de preservar a saúde física e emocional dos funcionários que, durante a pandemia de Covid-19, foi bastante afetada.

O diretor de Recursos Humanos do LinkedIn no Brasil, Alexandre Ullman, relata que, na tradicional pesquisa interna de clima, foi incluída a pergunta “como você está?” e, então, foi identificado que muitos colaboradores estavam com dificuldade para equilibrar a vida pessoal com o trabalho, desencadeando quadros de esgotamento, depressão e ansiedade.

Mudanças começaram pelas reuniões

Antes da decisão de dar aos funcionários essas duas semanas de descanso, a empresa já havia adaptado ao método de trabalho pelo menos uma semana sem reuniões. Algumas reuniões, por exemplo, chegavam a durar um dia inteiro, sob ameaça de sobrecarregar a equipe. Então, a melhor decisão foi estender mais ainda o prazo para se encontrarem virtualmente.

Para Walderez Fogarolli, diretor da área médica da consultoria de gestão de pessoas da Willis Towers Watson (WTW), o trabalho remoto facilitou algumas coisas, como o deslocamento para o trabalho, que era cansativo e tomava uma boa parte do dia. Contudo, isso não significa que esse tempo precisa ser preenchido com tantas reuniões.

Por outro lado, Daniela Laranja, que é neurologista do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, afirma que ainda que tenha várias vantagens, o trabalho a partir de casa, interligado com a vida pessoal, dá uma sensação de tarefas e afazeres contínuos e, além de tudo, sem fim. Esse é um dos fatores que estão fazendo as pessoas terem episódios de estafa.

Preocupação e cuidado

O LinkedIn demonstra preocupar-se bastante com a condição emocional e física de seu quadro de funcionários, antes mesmo da pandemia, os colaboradores já recebiam apoio psicológico – seus familiares também – e interrupção global das atividades entre o Natal e Ano Novo.

Àqueles que são responsáveis por cuidarem de crianças e idosos, também possuem flexibilidade de jornada. Ullman reforça que as pessoas precisam parar e que insistir em espaços que só lhe causam estresses não deve ser uma opção.

Outras empresas que tiverem interesse em copiar o modelo usado pela LinkedIn, mas preferem ser menos radical, Ulmann dá uma dica. Segundo ele, pode iniciar em menor escala, a exemplo do dia sem reuniões ou outras iniciativas que aliviem um pouco o funcionário.

Alívio de pressão

Fogarolli concorda com o diretor de RH e ressalta que as empresas precisam criar mecanismos de alívio de pressão – a parte cognitiva precisa do descanso e precisa fazer nada. Segundo o especialista, a base de um programa de saúde emocional é mitigar a sobrecarga.

A preocupação também se volta à liderança, o receio de que muitos líderes ainda não estejam preparados para esse avalanche é preocupante. Pensando nisso, iniciou em abril o primeiro Curso de Formação de Socorristas em Saúde Mental, que tem como objetivo capacitar colaboradores e lideranças, não necessariamente da área de saúde, para agir dentro da empresa.

O esgotamento ou a ansiedade dão alguns sinais antes de atingir as fases mais críticas, como queixas físicas, cefaleias constantes, dores musculares ou cansaço. Laranja pontua que, queixas constantes que parecem inofensivas, podem ser a ponta do iceberg de um problema que pode vir a se tornar muito maior.

Novo cenário

Este é o momento em que toda a sociedade sofre, além de problemas relacionados à saúde, também contam as finanças, desemprego e isolamento social. Por fim, Fogarolli acrescenta que é um momento de aprendizado para todos e as empresas precisam se adaptar também. Vai levar um tempo, mas precisam aprender a trabalhar nesse novo cenário.