Cerca de 20% dos brasileiros fazem uso de algum aplicativo para trabalhar

De acordo com levantamento do Instituto Locomotiva, o percentual é equivalente a 32,4 milhões de pessoas

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O mundo virtual se tornou uma forma de gerar renda e driblar o desemprego. Com isso, a tecnologia invadiu de vez o cotidiano e mudou tudo, até mesmo as relações de trabalho. Uma pesquisa do Instituto Locomotiva apontou que cerca de 11,4 milhões de brasileiros recorreram aos aplicativos para garantir uma parcela ou a totalidade de sua renda em meio à pandemia.

Esses aplicativos são uma nova forma de negócio que têm feito muita gente ver ali uma oportunidade de empreender. De acordo com o estudo, com esse crescimento durante o último ano, o Brasil tem cerca de 20% de sua população adulta – o equivalente a 32,4 milhões de pessoas – que utilizam algum aplicativo para trabalhar. Em fevereiro de 2020, antes do início da pandemia, essa fatia era de 13%.

Ferramentas usadas

A pesquisa avaliou os aplicativos que captam prestadores de serviços diretamente – como os serviços de transporte (28%) e de delivery (14%) – e ferramentas que indiretamente contribuem para que as empresas e profissionais se comuniquem ou captem novos clientes no mundo virtual – como as mídias sociais (34%) e mensageiros (33%). Já 26% desse contingente recorreram a tecnologias de vendas on-line.

O professor da FEA/USP e especialista em Mercado de Trabalho, Wilson Amorim, destaca que a tecnologia, atualmente, dirige o processo produtivo e afeta as relações de trabalho. Para ele, é uma realidade incontornável. Ele explica que, agora, essas empresas são parte da paisagem da vida moderna, estando no meio do caminho entre a oferta e a demanda de produtos e serviços, como um intermediário.

Alta demanda

Os aplicativos sentiram a alta da demanda em meio à crise econômica. O vice-presidente financeiro e de estratégia do aplicativo de entregas iFood, Diogo Barreto, conta que o número de pedidos pelo aplicativo passou de 30 milhões, antes da pandemia, para 48 milhões, no fim do ano passado. O total de estabelecimentos conectados passou de 150 mil para 230 mil, na mesma comparação. 

A pesquisa ouviu 1,5 mil pessoas de uma amostra selecionada por meio dos parâmetros da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), indicador do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) que serve de parâmetro das características socioeconômicas do Brasil. As entrevistas foram feitas entre os dias 12 e 19 de março.