Governadores se unem pela proteção ambiental e recorrem a Biden; Maranhão está incluso

Carta discutida para ser enviada a americano quer criar parcerias e formar a maior economia de descarbonização do planeta

Joe Biden, 46º presidente dos Estados Unidos (Foto: Reprodução)

O acordo de 22 governadores brasileiros comprometidos com o enfrentamento da crise climática assinaram uma carta ao presidente americano Joe Biden para estabelecer uma parceria e criar a chamada “maior economia de descarbonização do planeta”. O governador do Maranhão, Flávio Dino, assinou a iniciativa.

A iniciativa busca se qualificar para os investimentos de US$ 20 bilhões, em recursos públicos e privados, que o presidente americano prometeu mobilizar durante a campanha eleitoral para a preservação da Amazônia. De acordo com o texto preliminar, a parceria pode impulsionar uma economia sustentável para enfrentar o aquecimento global e reduzir a pobreza.

Além do Maranhão, estão envolvidos no projeto, por ordem alfabética do nome do Estado, Acre, Alagoas, Amapá, Amazonas, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso, Pará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Sergipe São Paulo e Tocantins.

Economia sustentável

O movimento acredita que, o Brasil, país com a maior base florestal da Terra, e os Estados Unidos, com a maior capacidade de investimento do mundo, deve alavancar um modelo de economia sustentável. A intenção é propor um termo de cooperação entre os EUA e os governos estaduais brasileiros com ações conjuntas.

O texto preliminar foi construído por especialistas do Centro Brasil no Clima (CBC) com a participação de outras entidades da sociedade civil, além de cientistas que colaboram com a aliança Governadores pelo Clima. A carta afirma que, juntos, os países podem constituir com agilidade a maior economia de descarbonização do planeta.

Compromissos da iniciativa

Na carta, alguns dos compromissos dos governos estão a redução dos gases de efeito estufa, promoção de energias renováveis, combate ao desmatamento, cumprimento do Código Florestal para a conservação das florestas, melhoria da eficiência na agropecuária, proteção dos povos indígenas e busca de formas para viabilizar reflorestamentos massivos.

A proposta não inclui apenas a Amazônia, mas outros biomas com grande estoque de carbono e rica biodiversidade. Desta forma, a carta menciona ainda o Cerrado, o Pampa, a Mata Atlântica, a Caatinga e o Pantanal. Isso traz um diferencial ao projeto, além do ineditismo de unir tantos governadores de diversos partidos políticos, integra o Brasil inteiro.

Propósitos do acordo

O texto diz que os governadores buscam parcerias para “impulsionar o equilíbrio climático, a redução de desigualdades, a regeneração ambiental, o desenvolvimento de cadeias econômicas verdes e a adoção de tecnologias para reduzir as emissões de atividades econômicas tradicionais nas Américas”.

Além de lançar o Brasil como um país que pode ter uma economia de base ecológica, a carta repete várias vezes que o novo modelo pode reduzir a desigualdade. A integração das duas economias se daria em bioeconomia, bioenergia, agricultura de baixo carbono e energias renováveis, promovendo práticas sustentáveis no comércio global, afirma a carta.

Joe Biden também é elogiado pelo retorno ao Acordo de Paris e é afirmado que os governadores estão preparados para a colaboração com os EUA pela proteção da floresta. Eles alertam ainda que exatamente nessa regiões de floresta há muita pobreza, portanto é preciso unir “uma agenda ambiental robusta” com “combate à desigualdade”.