CNC prevê movimento de R$ 12,75 bilhões no varejo com novo auxílio

Com o maior endividamento das famílias, entidade projeta que o percentual destinado ao varejo será menor este ano

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O impacto do novo auxílio emergencial no comércio varejista deve ser oito vezes menor do que no ano passado, conforme a previsão da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), que estima que 31,2% do que for sacado pelos brasileiros beneficiados serão gastos no setor.

O cálculo considera que a influência dos novos desembolsos será menor em razão dos valores menores do benefício, bem como o maior endividamento das famílias. Em termos absolutos, o economista sênior Fabio Bentes afirma que não há dúvida que o impacto será menor, mas mesmo em termos relativos, a tendência é de um impacto menor.

Segundo o especialista, o comprometimento da renda das famílias se intensificou no primeiro trimestre, já sem o pagamento de auxílios emergenciais, o que vai fazer com que a decisão das famílias, em termos da alocação desses recursos, acabe se direcionando para outros gastos, como quitação e abatimento de dívidas, em vez de usá-los no comércio.

A pesquisa da CNC aponta que, em 2020, R$ 293,11 bilhões dos R$ 322 bilhões foram efetivamente sacados pelos brasileiros. Desse total, R$ 103,8 bilhões dos recursos se destinaram ao varejo. O restante foi usado no setor de serviços, no pagamento de dívidas ou poupado para após o fim do programa.

O maior endividamento fez com que a entidade concluísse que o percentual destinado ao varejo será menor este ano, de 31,2%, o que corresponde aos R$ 12,75 bilhões. Neste cenário, para Bentes, o impacto mensal sobre o varejo em 2021, embora positivo, deverá ser cerca de oito vezes menor do que em 2020.