Faturamento do comércio na Páscoa deve ser o pior desde 2008, aponta CNC

O movimento de vendas é crescente ano a ano até 2019, com pequenas oscilações, e despenca em 2020

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Neste ano, o faturamento do comércio na Páscoa deve ser ainda menor do que a de 2020. A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) aponta que a quinta data comemorativa mais importante do varejo brasileiro deverá movimentar R$ 1,62 bilhão – o menor volume desde 2008.

O valor corresponde a uma retração de 2,2% na comparação com 2020. O movimento de vendas é crescente ano a ano até 2019, com pequenas oscilações, e despenca em 2020. Segundo a CNC, os impactos da pandemia de Covid-19 na renda dos brasileiros, a redução de importados e o fechamento do comércio às vésperas do feriado explicam a baixa expectativa.

o presidente da CNC, José Roberto Tadros, afirma que esse é um segmento que, historicamente, depende de um consumo presencial. Ainda há uma grande dificuldade de adaptação das vendas on-line para a compra de itens como chocolate, ovos de Páscoa e produtos de supermercado, apesar de todos os avanços já feitos pelas empresas, acrescenta.

Variação do dólar

A variação do dólar, que subiu 23% entre a Páscoa de 2020 e a deste ano, também explica a expectativa negativa para o período. O economista sênior da CNC, Fabio Bentes, explica que, como a Páscoa envolve produtos importados ou insumos importados, significa que ou o varejo importava esses produtos e aumentava o preço, ou não importava.

Desta forma, segundo o efetivo, a opção que o varejo fez foi reduzir as importações este ano, porque o consumidor brasileiro não aguenta um aumento expressivo de preços, ainda mais para itens não essenciais. Com isso, a importação de chocolates, por exemplo, somou 3 mil toneladas em 2021, a menor quantidade desde 2013. 

O economista argumenta ainda que o varejo não apostou na Páscoa deste ano porque percebia que a situação da economia e as conjunções de consumo não iam bem. Isso explica a opção por não importar, em vez de promover reajuste de preços muito acima da média. A previsão da CNC para o carro-chefe, que são os chocolates, é de alta no preço de 7%, de modo geral.