EDP reserva R$ 10 bilhões para investir no Brasil até 2025

A empresa vai intensificar aportes nas atividades de distribuição e transmissão de energia, além de buscar oportunidades de crescimento em geração solar

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O grupo português EDP anunciou uma reserva de R$ 10 bilhões para investir em sua subsidiária brasileira até 2025. A empresa vai intensificar aportes nas atividades de distribuição e transmissão de energia, além de buscar oportunidades de crescimento em geração solar e a retomada do plano de reciclagem de capital com a venda de ativos. 

Em entrevista ao Valor Econômico, Miguel Stilwell, CEO global da EDP, afirmou que o Brasil oferece boas oportunidades e vai continuar entre as principais plataformas do grupo nos próximos anos, mesmo que o plano geral de investimentos dê um peso maior para os mercados europeu e americano. A pretensão do grupo é acelerar a transição para um portfólio de geração 100% renovável e neutralizar suas emissões de carbono até 2030. 

Projetos renováveis

Para atingir a meta, a empresa elevará o patamar de investimentos anuais de € 2,9 bilhões para € 4,8 bilhões, somando € 24 bilhões até 2025. Desse total, 80% irá para projetos renováveis. Em território brasileiro, a aposta em energias limpas tem foco na geração solar. A meta do EDP é aumentar em mais de 20 vezes o portfólio atual de usinas fotovoltaicas, o que faria o número saltar de cerca de 50 megawatts-pico (MWp) para 1 GWp.

Segundo Stilwell, o crescimento virá tanto dos empreendimentos de grande porte, quanto dos sistemas de geração distribuída. De dezembro para cá, o grupo anunciou dois negócios na área de geração distribuída solar: o investimento de 20 milhões na compra de 40% da Blue Sol, empresa que atende residências e pequenas empresas, e a aquisição da AES Inova, que tem 34 MWp em usinas, com investimentos de R$ 177 milhões. 

O segmento de redes – distribuição e transmissão de energia – também está entre as metas. A EDP conta com duas distribuidoras no Brasil: uma em São Paulo e outra no Espírito Santo. Além disso, tem uma participação de 30% na Celesc, estatal catarinense. A ideia é dobrar o volume de aportes comparado com os últimos anos, com foco na redução de perdas e digitalização, sem olhar ativamente a aquisição de novas distribuidoras. 

Projeto no Maranhão

A empresa mantém ainda a estratégia de crescer em transmissão, seja participando de leilões ou comprando no mercado secundário. A EDP chegou a adquirir no Maranhão um projeto por R$ 88,5 milhões. Atualmente, ao todo, a empresa tem 1,5 mil km de linhas, sendo 316 km operacionais. Com a reavaliação do portfólio, a subsidiária brasileira deve colocar ativos à venda com o objetivo de reciclar capital para reinvestir.

O assunto foi discutido no início de 2020, mas a pandemia de Covid-19 atrapalhou. Parte dos projetos de transmissão serão considerados para “rotação” e eventualmente alguma hídrica. O processo ainda está em fase embrionária, mas ao longo de 2021, haverá mais notícias. O executivo não revelou quanto pode ser levantado com essa iniciativa no Brasil, mas, no plano global, a companhia estimou que suas vendas podem somar € 1 bilhão.