CEO da Stellantis elogia operações no Brasil, mas ressalta que melhora depende da vacinação

Para ele, esse ano será de melhorias das condições no mercado brasileiro com a retomada da produção e das vendas prejudicadas em 2020

Carlos Tavares, CEO da Stellantis (Foto: Reprodução)

“Brasil: uma região com grande potencial”. Essa foi a frase usada pelo português Carlos Tavares, CEO da Stellantis, empresa resultante da fusão entre Fiat Chrysler (FCA) e Peugeot-Citroen (PSA). O executivo visitou o país pela primeira e se arriscou a atribuir esse poder ao Brasil após avaliar o trabalho de operações do grupo no país.

Em sua opinião, esse ano será de melhorias das condições no mercado brasileiro com a retomada da produção e das vendas, prejudicadas no ano passado com a chegada da pandemia de Covid-19. Para ele, a velocidade dessas mudanças é uma incógnita e as respostas só serão alcançadas dependendo do andamento da vacinação contra a doença.

Estratégias na pandemia

A pandemia impactou na indústria em geral, a produção foi afetada e gerou diversos problemas. Em razão disso, a Fiat deu férias coletiva para 602 funcionários em Betim, em Minas Gerais. Além do impacto da pandemia, fatores como inflação no preço do aço e escassez de semicondutores pesaram para a tomada das últimas decisões.

Para a Stellantis, Tavares disse que ainda há uma absorção dos valores pela empresa, mas teme pela necessidade de ter que repassar o valor mais alto para o consumidor final. Segundo ele, enquanto aos semicondutores, estão em falta por um crescimento na demanda por aparelhos de tecnologia, como smartphones, durante a pandemia. 

Diante disso, as fabricantes do componente dão prioridade às empresas de tecnologia. As operações na América Latina tem sido bem vista por Tavares, ele tem até mesmo elogiado o trabalho realizado por Antonio Filosa – antes presidente da FCA na mesma região. O CEO afirma estar bastante à vontade no que diz respeito ao comando das operações.

Volatilidade regional

Foi preciso aprender como empresa a lidar com essa volatilidade característica da região, acrescentou o executivo. Em relação ao futuro da Stellantis no Brasil, ele ressaltou que as equipes locais já aprenderam a lidar com isso e se tem uma abordagem muito positiva. Apesar da grande volatilidade, para Tavares, há um grande potencial.

Ainda que sejam dias difíceis para as empresas, Tavares não pretende fechar nenhuma das marcas. Por outro lado, ele não descartou mudanças no portfólio de marcas em regiões específicas e afirmou que comandantes de cada região têm autonomia para decidirem a melhor estratégia. Isso vale para retirada ou inclusão de marcas.

Fábricas não exclusivas

Como parte das estratégias de sinergia e cortes de custos, as fábricas da Stellantis passarão a ser utilizadas por qualquer marca do grupo que tenha condições de fabricar modelos que usem a mesma plataforma. A fábrica em Minas Gerais iniciou a produção da nova linha de motores turbo que poderão equipar os próximos lançamentos.