Trilionário plano de estímulo americano deve alavancar crescimento econômico mundial

O pacote de US$ 1,9 trilhão representa uma das maiores injeções de estímulos à economia nas últimas décadas

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O plano de estímulo do presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, deve alavancar o crescimento econômico mundial em 2021, podendo adicionar 1 ponto percentual na expansão global e gerar ganho adicional de 0,5% no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, segundo a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

O pacote de US$ 1,9 trilhão representa uma das maiores injeções de estímulos à economia nas últimas décadas. O valor do programa americano equivale, por exemplo, ao PIB da Itália em 2020. Para os economistas, a quantia é o suficiente para ter um impacto considerável sobre o crescimento econômico e as vidas de milhões de americanos.

Recuperação

A economia mundial deve se recuperar este ano com um crescimento de 5,6% e expandir 4,0% em 2022, de acordo com a projeção da OCDE em sua perspectiva econômica. Isso marcou um forte aumento em relação a seu cenário anterior feito em dezembro, quando projetou crescimento global de 4,2% este ano e 3,7% no próximo.

Para o Brasil, a OCDE projeta um crescimento de 3,7% em 2021 e de 2,7% em 2022, ambos revisados para cima em relação a dezembro – 1,1 e 0,5 ponto percentual, respectivamente. A expectativa é de que o PIB global retorne aos níveis pré-pandemia até meados deste ano, embora com amplas divergências entre os países, aponta a OCDE.

Vacinação

Para a economista-chefe da OCDE, Laurence Boone, a importância da aceleração da vacinação contra a Covid-19 é o fator dominante para as perspectivas econômicas globais, mas não é o suficiente. Para ela, é preciso fazer mais e o mais rápido possível, uma vez que muitos países perderam de dois a três anos de crescimento em meio à pandemia.

Boone explica que parte importante da economia mundial já voltou aos níveis de antes da pandemia, restrições à mobilidade são menos rigorosas e o setor manufatureiro já supera a situação de 2020. Agora, a previsão é de que a perda de renda devido à crise sanitária global será de “apenas” US$ 3 trilhões até 2022, equivalente ao PIB da França.

Segundo a economista, no cenário de imunização mais rápida, a economia global pode ganhar US$ 2,7 trilhões adicionais. Contudo, se a vacinação for desigual e complicada, isso pode se traduzir em perdas de US$ 2,6 trilhões. Para Boone, apoio fiscal sem vacinação não funciona, é preciso somar as duas medidas para estimular a recuperação econômica.