Porsche cresce 32% no Brasil em meio à pandemia com estratégia diferente

Por atrás dos bons resultados da marca, há outra questão que foge da análise dos números frios de emplacamentos: o estado emocional dos consumidores também entra em jogo

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Enquanto a maioria das marcas apostam nos SUVs dentro da gama para conseguir resultados melhores, a Porsche entra na contramão. A marca de Stuttgart, na Alemanha, alcançou um crescimento de 32% em 2020, e o esportivo 911 foi o maior responsável pelo bom desempenho, com 755 unidades emplacadas, somando as versões 911 e 911 Turbo.

Apesar da Porsche ter ficado atrás da Rolls-Royce entre as marcas de luxo que mais cresceram no ano passado, a marca conseguiu colocar nas ruas 600 unidades a mais, enquanto a marca inglesa marcou 50% de crescimento por ter vendido três carros em 2020 contra duas unidades em 2019, o que torna uma comparação injusta entre as duas.

Comunicação emocional

Se engana quem pensa que, para alcançar um feito como o da Porsche, precisa investir somente em tecnologia e inovação. Um consultor de mercado automotivo ressalta que, por atrás dos bons resultados da marca, há outra questão que foge da análise dos números frios de emplacamentos: o estado emocional dos consumidores também entra em jogo.

Para o especialista, em tempos normais, o cliente da Porsche que tem esse dinheiro teria investido se não toda, boa parte desse valor. Ele explica que, quando a bolsa está em queda, a taxa de juros não propicia bons retornos e o mercado não tem boas respostas. Esse cliente acaba colocando o dinheiro no carro que é seu desejo emocional.

Além disso, outro ponto é que, com a pandemia, lojas fechadas e isolamento social proposto para conter a disseminação do coronavírus, esse cliente acaba buscando um “presente” para si mesmo como forma de recompensa e satisfação pessoal.