Baterias podem substituir o petróleo na geração de energia

A chegada da tecnologia das baterias de larga escala pode superar um dos maiores obstáculos para a energia renovável: a intermitência das energias solar e eólica

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A geração de energia elétrica na Califórnia, nos Estados Unidos, está prestes a mudar, tornando-se a maior bateria do mundo, na usina de Moss Landing, armazenando o excesso de energia dos painéis solares e dos parques eólicos quando estiverem produzindo eletricidade e abastecendo de volta a rede quando eles não estiverem gerando energia.

O prédio da turbina já conta com uma bateria de íon-lítio de 300 megawatts, que está sendo preparada para operação. Outra de 100 megawatts deve ser lançada neste ano. Contudo, essas não são as únicas baterias de grande porte que estarão operando na usina de Moss Landing. A Tesla está se preparando para abastecer a rede elétrica ainda este ano, com 182 megawatts adicionais produzidos por 256 unidades de bateria.

De acordo com a concessionária Pacific Gas & Electric, que vai operar o sistema, o plano é agregar capacidade suficiente para abastecer todas as casas nas proximidades de San Francisco por seis horas. No ano passado, houve o lançamento de um projeto de armazenamento de 250 megawatts em San Diego.

Atualmente, a Califórnia é líder global na tentativa de compensar a intermitência da energia renovável em redes elétricas com baterias de armazenamento em larga escala. Por outro lado, o resto do mundo está mostrando esforços para seguir seu exemplo. Os planos anunciados recentemente vão desde de um sistema de 409 megawatts no sul da Flórida, nos EUA, até uma unidade de 112 megawatts no Chile.

Também há uma usina de 320 megawatts perto de Londres, no Reino Unido, a uma instalação de 200 megawatts na Lituânia. A implantação dessas baterias pode ser capaz de superar um dos maiores obstáculos da energia renovável: o ciclo entre o excesso de oferta quando o sol brilha ou o vento sopra, e a escassez quando o sol se põe ou o vento diminui.

Quando os desequilíbrios entre a oferta e a demanda forem suavizados, as baterias podem vir a substituir as usinas de combustível fóssil de pico, que entram em operação algumas horas por dia, quando a demanda por energia aumenta. Deste modo, a disseminação do armazenamento pode ser fundamental para expandir o alcance das energias renováveis ​​e acelerar a transição para uma rede elétrica livre de carbono.

Porém, a chegada desse futuro depende da velocidade com que os custos vão cair. O preço das baterias de armazenamento em larga escala nos EUA despencou, caindo quase 70% entre 2015 e 2018, de acordo com a Administração de Informação de Energia do país. A queda seguiu os avanços na química da bateria de íon-lítio, que permitiram uma melhora no desempenho e um aumento na capacidade da bateria com instalações capazes de armazenar e descarregar energia por períodos mais longos. 

A queda também foi motivada pela concorrência no mercado e o aumento da produção de baterias. Uma projeção do Laboratório Nacional de Energia Renovável dos EUA prevê uma queda de 45% no custo das baterias de íon-lítio até 2030. Embora o armazenamento de energia esteja prosperando em mercados de grande valor, os preços das baterias precisam reduzir ainda mais para alcançar um mercado global em grande escala.