Consumo de serviços deve ser impulsionado no pós-pandemia com ‘compra por vingança’

O conceito de "compra de vingança" surgiu para explicar o desejo de recompensa emocional após um longo período de sacrifícios e situações desconfortáveis

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Mudanças nas tendências de consumo? Um relatório da McKinsey & Company, líder mundial no mercado de consultoria empresarial, apontou que o retorno da confiança do consumidor poderá desencadear um fenômeno chamado de “compra por vingança” no pós-pandemia, com o aumento de consumo de serviços, principalmente aqueles com elemento comunitário e de contato social, como restaurantes, festivais de música, eventos e viagens.

Em entrevista à CNN, a economista Flávia Ávila, especialista em economia comportamental e fundadora da consultoria InBehavior Lab, disse que haverá um aumento do consumo de experiências ante o consumo de bens materiais. Segundo ela, a lembrança de uma viagem ou festival, por exemplo, proporciona um pouco de felicidade ao consumidor toda vez que surge em sua mente, diferente de bens materiais.

O conceito de “compra de vingança” surgiu para explicar o desejo de recompensa emocional após um longo período de sacrifícios e situações desconfortáveis. Quanto maior for o tempo penoso, maior será a necessidade de criar satisfação por meio das compras.

Viagens

O relatório apontou que as viagens de lazer, por exemplo, são movidas pelo desejo humano de explorar e desfrutar, e isso não mudará. Roberto Haro Nedelciu, presidente da Associação Brasileira das Operadoras de Turismo, afirma que, após o último ano em casa, as pessoas estão valorizando cada vez mais o contato e a descoberta.

Para atrair ainda mais o consumidor, o especialista também aposta no crescimento de grandes descontos no pós-pandemia, como viagens 60% ou 70% mais baratas. Segundo ele, somado a isso, deverá ser observado companhias e hotéis possibilitando remarcação de data com até dois anos, sem custos, o que nunca existiu antes.

A partir do momento em que a população vacinada for consideravelmente grande, Haro Nedelciu também prevê que os descontos começarão a diminuir. As viagens de negócios nacionais e regionais, conforme o relatório da McKinsey, provavelmente se recuperarão primeiro — algumas empresas e setores desejarão retomar as vendas presenciais e as reuniões com clientes assim que puderem com segurança.