Efeito direto da pandemia, o PIB do Brasil teve queda histórica de 4,1% em 2020

Foi o maior tombo desde o início da série histórica atual do IBGE, iniciada em 1996

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O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro fechou 2020 com queda de 4,1%, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Desta forma, o Brasil saiu do ranking das 10 maiores economias do mundo e caiu para a 12ª colocação, segundo levantamento da agência de classificação de risco Austin Rating.

Foi o maior tombo desde o início da série histórica atual do IBGE, iniciada em 1996, com reflexo do impacto da pandemia de Covid-19 na economia. Até então, a maior queda registrada tinha sido a de 2015 (-3,5%). Segundo a instituição, a queda interrompeu o crescimento de três anos seguidos, de 2017 a 2019, quando o PIB acumulou alta de 4,6%.

Em valores correntes, o PIB chegou a R$ 7,4 trilhões. Já o PIB per capita (por habitante) foi de R$ 35.172 no ano passado, com queda de 4,8% — a maior já registrada em 25 anos. Embora tenha registrado dois trimestres seguidos de alta, o país encerrou 2020 com a economia 1,2% abaixo do patamar que se encontrava no 4º trimestre de 2019.

Rebeca Palis, coordenadora de Contas Nacionais do IBGE, afirmou à UOL que o resultado é efeito da pandemia de Covid-19, quando as atividades econômicas foram parcial ou totalmente paralisadas para controle da disseminação do vírus. Segundo ela, mesmo quando começou a flexibilização, muitas pessoas permaneceram receosas de consumir.

Principais destaques do PIB em 2020

  • Serviços: -4,5%
  • Indústria: -3,5%
  • Agropecuária: 2%
  • Consumo das famílias: -5.5%
  • Consumo do governo: -4,7%
  • Investimentos: -0,8%
  • Exportação: -1,8%
  • Importação: -10%
  • Construção civil: -7%

Entre os principais setores, houve alta somente na Agropecuária (2%), enquanto que a Indústria (-3,5%) e os Serviços (-4,5%) tiveram queda, conforme o IBGE. Do lado da demanda, o consumo das famílias despencou 5,5% e os investimentos encolheram 0,8%.

Pior década com ou sem pandemia

De acordo com a pesquisadora sênior de economia aplicada do FGV/Ibre, Silvia Matos, o estrago econômico deixado pela pandemia responde por uma parte grande desse resultado, mas não é o único responsável por ela. Mesmo se 2020 não tivesse tido uma crise sanitária, a última década acabaria entre as piores da história brasileira. 

Em entrevista à CNN, a pesquisadora afirmou que, se o PIB do ano passado tivesse repetido a mesmo ritmo dos três anteriores — avanço de 1,5% —, o crescimento médio da década teria sido de 0,6% ao ano, ainda o pior desde 1900. A média do PIB per capita ficaria em zero, quase empatando com 1980. Para Matos, não dá para botar a culpa só na pandemia, uma vez que ela só intensificou uma situação que já era ruim.

Mercado prevê PIB de 3,29% em 2021

A expectativa do mercado financeiro é de que o PIB brasileiro tenha crescimento de 3,29% em 2021, de acordo com o último Boletim Focus divulgado pelo Banco Central. A projeção da entidade está em linha com a do ministro da Economia, Paulo Guedes, que prevê que a economia do país avance entre 3% e 3,5% neste ano.

A previsão feita por Guedes, em entrevista à rádio Jovem Pan, é mais moderada do que em declarações anteriores. No final de janeiro, em videoconferência com investidores, o ministro afirmou que a economia brasileira poderia crescer até 5% neste ano, caso o Executivo e o Legislativo parasse de “jogar pedra um no outro”.