Starlink mal chegou e já está incomodando operadoras dos EUA

Operadoras dos EUA são contra financiamento da FCC à internet de Musk

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O serviço de internet de Elon Musk mal chegou e já está incomodando: a Startlink, que será oferecida por meio de satélite direto ao usuário final da SpaceX, vem tirando o sono dos concorrentes. A companhia segue nos testes do período beta, mas está realizando pré-vendas em regiões dos Estados Unidos, Canadá e Reino Unido.

Dois consórcios americanos, que representam operadoras de serviços de fibra e de acessos a zonas rurais, estão tentando barrar a participação da SpaceX em uma nova licitação da Federal Communications Commission (FCC), equivalente à Anatel

Na internet via satélite, a distância percorrida pelo sinal, leva a um ping teórico de 238,7 ms. Na prática, normalmente se trabalha com 600 ms. Contudo, o número, mesmo não sendo o ideal para jogar, é o suficiente para trabalhar e acessar páginas e mídias sociais.

Segundo o portal TecnoBlog, um satélite geoestacionário, fixo na órbita Clarke (25.786 km de altitude), cobre um hemisfério. Projetos como o da Starlink trabalham com vários deles, em uma órbita mais baixa. A compahia tem autorização para operar mais de 40 mil satélites, além de mais de 1.600 para regiões polares — que estão entre os mais recentes colocados em órbita, e usam feixes de laser para trocarem dados entre si.

No início, os satélites da Starlink ficariam em uma altitude média entre 1.100 e 1.325 km, mas a FCC autorizou a redução para 560 km, o que derrubou o ping. Em agosto de 2020, os satélites atingiram 20 ms a uma velocidade de conexão constante de 60 Mb/s. Musk, no entanto, quer chegar a 16 ms para que a Starlink possa ser usada em jogos on-line. 

O foco da Starlink são os usuários em regiões remotas, onde a oferta é pouca e os preços são mais altos. Graças a subsídios da SpaceX — por causa de seus contratos com agências espaciais —, a Starlink “pôde miniaturizar a tecnologia de phased array para reposicionamento eletrônico da antena em relação aos satélites, algo usado em navios de guerra e, por isso mesmo, nada barata”.

O preço do plano de 150 Mb/s foi fixado em US$ 99/mês, e a antena custa US$ 499. Esse preço é barato se comparado a valores locais no interior dos EUA. Um exemplo é a Hughesnet, que oferece 25Mb/s via satélite por US$ 150/mês. Já a Viasat cobra US$ 170/mês em um plano de 50 Mb/s. O cliente da Starlink economiza no valor da antena.

Um estudo encomendado por duas associações, a Fiber Broadband Association (FBA) e a NCTCA – The Rural Broadband Association, afirma que a velocidade da internet da Starlink é muito lenta. Até 2028, os usuários sofrerão com uma possível degradação do sinal em razão do congestionamento, uma vez que a intensificação no número de usuários causa uma certa queda de qualidade, aponta o levantamento.

Com esse estudo, a FBA e NTCA acreditam que a SpaceX não vai conseguir atender a demanda crescente de usuários e não vai garantir a qualidade do serviço. As companhias defendem que a SpaceX tem que ser impedida de participar da licitação da FCC, que, de acordo com o TecnoBlog, “distribuiu US$ 9,2 bilhões a 180 companhias diferentes, como meta de levar internet a 5,2 milhões de residências e empresas”.

A Starlink tem acesso a US$ 885,51 milhões por 10 anos e deve fornecer internet de 100 Mb/s de download e 20 Mb/s de upload a 642.925 usuários, de modo a atender as exigências da comissão. Essa decisão, no entanto, pode ser revogada e a Starlink pode ficar de fora outra vez — a SpaceX já perdeu uma licitação devido a prazos irreais para demonstrar que o serviço funcionava. 

Contudo, é provável que Musk comece a avançar: a FCC agora é presidida pela comissária Jessica Rosenworcel, apontada pelo presidente dos EUA, Joe Biden. Para o TecnoBlog, “o incômodo que a Starlink está causando poderá ser benéfico aos usuários, afinal, é mais concorrência entrando no mercado. As operadoras que se virem para correr atrás de Musk e ofereçam serviços melhores e mais baratos, ou ficarão para trás”.