Ansiedade e cansaço são os sentimentos mais citados por brasileiros no ambiente de trabalho

Os entrevistados pontuam a falta de empatia de seus superiores como algo um tanto desagradável e desencadeador dessas frustrações

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A rotina cansativa de trabalho do brasileiro gera algumas consequências relacionadas à qualidade de vida. As principais reclamações estão ligadas à ansiedade, que representa 52% dos brasileiros que estão no local de trabalho, já 47% dizem estar cansados e 21% a 22% apontam desânimo e frustração como outros sentimentos experimentados.

Os dados foram apurados durante uma pesquisa realizada pela Associação Brasileira de Comunicação Empresarial (Aberje). Os entrevistados pontuam a falta de empatia de seus superiores como algo um tanto desagradável e desencadeador dessas frustrações. Com isso, 89% dos colaboradores citaram a necessidade de mudança nesse quesito.

Chamada de “Comunicação Não Violenta nas Organizações”, a pesquisa foi realizada nas cinco regiões do país, tanto com empresas nacionais quanto com multinacionais de pequeno, médio e grande porte. O levantamento elaborou tópicos com quatro níveis diferentes, são eles: minha equipe, meus pares, liderança e empresa.

Necessidades não atendidas

Os entrevistados, em sua maioria, citaram cinco sentimentos ligados às necessidades não atendidas. Cansaço e ansiedade foram os mais citados, respectivamente, seguidos de apreensão, desânimo e frustração, resultados da falta de atenção aos funcionários.

Sentimentos como despreocupação, segurança, calma, realização e satisfação foram citados como resultados de necessidades respondidas. A relação de hierarquia no ambiente de trabalho ainda afasta funcionários de seus superiores. Os colaboradores alegam se sentirem mais próximos de seus colegas de trabalho que da liderança.

De acordo com a especialista em Comunicação Não Violenta (CNV) e curadora da pesquisa, Pamela Seligmann, os melhores índices apareceram quando o que estava sendo analisado era a própria equipe do funcionário, ou seja, o seu núcleo mais próximo. Piorava quando ele falava de pares, liderança e ainda mais quando falavam da empresa.

Escuta e empatia

Seligmann conta que percebia que os funcionários e as pessoas próximas dele se atendiam nas escutas, resolviam conflitos e necessidades, mas a empresa como um todo não o fazia com tanta efetividade. De acordo com ela, para entender os resultados da pesquisa é preciso primeiro conhecer os conceitos da CNV, que se baseia na escuta e na empatia com os outros e consigo mesmo e na identificação de necessidades.

A pesquisa confirma como é necessário que os líderes de empresas cedam espaço aos funcionários e permitam que expressem seus sentimentos. Seligmann explica que isso aumenta o sentimento de confiança, a participação, conhecimento, lugar para dar opiniões e ideias, envolvimento, motivação, tudo o que tem a ver com o clima da organização.

Home office e qualidade de vida

As empresas, segundo a pesquisa, também têm negligenciado a saúde mental por meio do home office que foi estabelecido. Por um lado, trouxe muitas coisas boas, mas as empresas invadiram o espaço doméstico e muitos funcionários alegam não estar conseguindo cuidar de sua saúde emocional, ficando desconectados de suas necessidades.

A curadora da pesquisa concluiu que as empresas podem olhar para a questão e fazer uma linguagem de CNV que não é passiva, e sim de responsabilização e olhar sobre as necessidades de todos os participantes dessa comunicação.