Dieese estima perda de 124 mil postos de trabalho após anúncio de saída da Ford do Brasil

Cálculo considera as 5 mil demissões anunciadas pela montadora, além de 118.864 mil postos de trabalho diretos, indiretos e induzidos

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Há um mês, a Ford anunciou o encerramento da produção de veículos no Brasil, após um século produzindo no país. Além das 5 mil demissões já anunciadas pela montadora, o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômico (Dieese) estima uma perda potencial de mais de 118.864 mil postos de trabalho.

A estimativa da pesquisa soma trabalhadores diretos, indiretos e induzidos — o que representa uma perda de massa salarial da ordem de R$ 2,5 bilhões ao ano. A montadora já encerrou as atividades produtivas em Camaçari (BA) e deve fechar as unidades de Taubaté (SP) e Horizonte (CE), de jipes Troller, até o final do ano. 

Além disso, haverá queda de arrecadação de tributos e contribuições em torno de R$ 3 bilhões por ano, segundo a Dieese. Cada R$ 1 gasto na indústria automobilística acrescenta R$ 1,40 no valor agregado da economia, informou a entidade. O fim da produção foi anunciado pela empresa no último dia 11 de janeiro.

Em comunicado divulgado à imprensa no mês passado, a fabricante disse que a decisão de deixar o Brasil se deve ao crescimento da “capacidade ociosa da indústria e à redução das vendas, resultando em anos de perdas significativas”. Nos últimos cinco anos, a companhia também perdeu espaço no país para as montadoras asiáticas Hyundai e Toyota.

A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) estima que, com a saída da Ford do Brasil, a capacidade produtiva total do país terá uma queda dos atuais 5 milhões de unidades por ano para algo em torno de 4,5 milhões a 4,7 milhões. Os veículos continuarão sendo vendidos aqui, mas serão importados.

Sem demissões em massa

A Justiça do Trabalho suspendeu, no dia 5 de fevereiro, a demissão em massa nas fábricas em Taubaté (SP) e Camaçari (BA). As liminares foram expedidas em resposta a ações movidas pelo Ministério Público do Trabalho (MPT). Os juízes determinaram que a montadora não realize desligamentos até a conclusão de negociação com os sindicatos.