Brasil atinge recorde na reciclagem de plásticos pós-consumo com alta de 24%

Especialista conta que a maior demanda por conteúdo mais sustentável, sobretudo das grandes empresas, puxa esse crescimento

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A reciclagem mecânica de plásticos continua avançando no Brasil. Uma pesquisa realizada pela consultoria MaxiQuim, em parceria com a Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast), levantou dados que apontam um aumento de 24% no volume de reciclagem mecânica de plásticos no país, maior índice já registrado recentemente no país.

A sócia da MaxiQuim, Solange Stumpf, relata que a indústria subiu a um novo patamar. Segundo a executiva, a maior demanda por conteúdos sustentáveis, tanto das pequenas empresas, quanto das grandes, impulsiona esse crescimento. Em 2018, o percentual calculado era de 22,1%, já em 2019 estava em 8,5%.

Por conta da pandemia, o ano passado mostrou recuo no resultado, que até o momento não foi divulgado. O levantamento também mostra 2% acima do registrado de 2019, que calculava 3,5 milhões de toneladas de resíduo plástico pós-consumo ante o ano anterior.

Etapas para o consumo final

O consumo final envolve etapas desde a produção de resinas até a demanda final na transformação de plásticos. O estudo avaliou o total de plástico pós-consumo reciclado por 695 empresas recicladoras em operação e, dentre elas, 168 foram entrevistadas.

O resultado para o crescimento pode ser baseado no volume de plástico pós-consumo que cresceu 10%, por outro lado, a geração do plástico pós-consumo cresceu 2% em 2019. O salto foi de 757 mil toneladas para 838 mil toneladas.

O índice apurado em 2019 é bastante representativo da realidade da reciclagem de plásticos do país porque houve eventos extraordinários que pudessem gerar alguma distorção. A tendência é de continuidade do crescimento e os desafios, são velhos conhecidos: a oferta de resíduo plástico dentro da qualidade exigida, ressalta a consultora.

Esse sempre será o grande desafio, explica Stumpf. Nos últimos anos, segundo a executiva, a cadeia de reciclagem se estruturou, mas ainda é necessário avançar. Do lado da demanda, a expectativa é que siga crescendo, acrescenta.

A região Sudeste lidera a produção do plástico pós-consumo

À frente do ranking de produção do plástico pós-consumo está a região Sudeste com 51,6% e 456 mil toneladas. Em seguida vem o Sul, com 226 toneladas. Em terceiro, com 94 mil toneladas, aparece a região Nordeste. O Centro-Oeste ocupa o quarto lugar com 40 mil toneladas e, por último, o Norte com 12 mil toneladas.

A divisão do plástico pós-consumo ficou entre o doméstico (52,5%); não doméstico (19,5%) e resíduo pós-industrial (28%). Listadas como mais recicladas ficaram a resina PET, seguida de polietilenos e do polipropileno.