Ainda que tímido, setor de serviços mostra crescimento pela 6° vez

Alta chegou a 2,6% do volume de serviços em novembro ante o mês anterior

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Desde o início da pandemia do coronavírus, o setor de serviços vinha sendo o mais afetado do país, mas, por outro lado, ocupa o lugar de setor que mais cresce por seis meses seguidos de ganhos no volume em novembro. O resultado é agradável, mas não suficiente para alcançar resultados excelentes aos níveis de pré-pandemia.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou o crescimento de 2,6% do volume de serviços em novembro ante o mês anterior. O desenvolvimento do setor gera expectativas para a economia brasileira, mas o resultado atingido pelo sexto mês consecutivo ainda não recuperou as perdas registradas entre fevereiro e maio, que chegava a 19,6%, período de pico da pandemia.

Recuo de 6,2% na base anual

A alta registrada superou as expectativas pressupostas pela Reuters, atingindo 1,2% na comparação e de recuo de 6,2% na base anual. O contato presencial é necessário para o setor, por isso, durante a pandemia foi o mais afetado, até o momento as perdas registradas não foram recuperadas, o setor permanece em baixa desde fevereiro com 3,2% abaixo do patamar.

De acordo com Rodrigo Lobo, gerente da pesquisa no IBGE, atividades como restaurantes, hotéis, serviços prestados à família de uma maneira geral e transporte de passageiros, seja aéreo, rodoviário e/ou metroviário, até mostraram melhoras, mas a necessidade de isolamento social ainda não permitiu o setor voltar ao patamar pré-pandemia.

Economista da XP, Lisandra Barbero, explicou que embora o setor permaneça frágil devido à pandemia, nosso índice de difusão mostra que mais de 80% dele vem se recuperando em um ritmo significativo nos últimos seis meses, um número que vem crescendo lentamente nos últimos meses como reflexo da reabertura gradual da economia, calculando contração de 8,0% do volume de serviços em 2020.

Segmentos com melhores desempenhos

Entre os segmentos com maiores desempenhos estão o de transporte com alta de 2,4%, serviços auxiliares aos transportes e de correio e serviços prestados às famílias com alta de 8,2%. Nos últimos sete meses, os serviços prestados às famílias têm alta de 98,8%, mas precisam crescer 34,2% para voltar ao patamar de fevereiro.

A atividade de transportes cresceu em novembro pelo sétimo mês seguido e acumula ganho de 26,7% entre maio e novembro, mas ainda precisa avançar 5,4% para atingir o nível de fevereiro, que aconteceu a implementação das medidas sanitárias para conter a Covid-19.

O diretor de pesquisas econômicas para a América Latina no Goldman Sachs, Alberto Ramos, espera que alguns do serviços mais impactados se recuperem conforme a vacinação em massa avance. No curto prazo, a recente aceleração nos novos casos do vírus e da inflação e retirada de alguns dos generosos programas de transferências fiscais podem moderar o impacto por trás da recuperação do setor.