Especialista aponta as tendências das healthtechs em 2021

Eduardo Fuentes, analista de investimentos do Distrito Dataminer, faz um balanço do setor em 2020 e lista as tendências para o ano que começa

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A pesquisa Distrito Healthtech Report Brasil 2020, realizada pela empresa de inovação aberta Distrito, apontou que o número de healthtechs brasileiras duplicou nos últimos cinco anos. São 542 companhias mapeadas no estudo, número que era de 265 em 2015 — metade das startups de saúde do Brasil foram fundadas entre 2016 e 2020.

Em um momento no qual a importância do cuidado com a saúde foi colocada em evidência devido à pandemia de Covid-19, as empresas do setor ganharam um destaque histórico e é esperado que ganhem cada vez mais espaço no mercado. Foram mais de US$ 100 milhões investidos em healthtechs, divididos em mais de 50 negócios fechados.

Eduardo Fuentes, analista de investimentos do Distrito Dataminer, afirma que o volume só perde para 2017, ano marcado pelos grandes aportes na startup Dr. Consulta. Segundo ele, tirando isso, foi o maior e mais representativo ano em volume de investimentos. Com a entrada do capital, o ecossistema amadureceu.

Para o executivo, as consequências foram o aparecimento de novas soluções e o desenvolvimento dos produtos já existentes. Outro número significativo para 2020 é o de fusões e aquisições. No ano passado, foram 11 negócios fechados. Em 2019, tinham sido apenas três. Até então, segundo ele, esse ecossistema não era tão investido.

A empresa Avus é um exemplo. Entre julho e agosto, a healthtech registrou um crescimento de 950% em seu faturamento mensal, totalizando mais de 100 organizações que adotaram a plataforma da companhia para oferecer como benefício aos seus colaboradores. Os usuários contam com descontos em uma rede credenciada de saúde.

Mesmo assim, as empresas encontraram algumas dificuldades. Segundo Fuentes, uma delas, compartilhada com todo o setor de tecnologia, foi a contratação de mão de obra qualificada. Outra questão foi a regulação. Ele explica que, por lidar com a vida humana, esse mercado é mais regulado que os outros. Algumas burocracias podem dificultar.

Tendências para 2021

A estrada é longa, mas altamente promissora. A pandemia só acelerou um processo que já estava em andamento. Para Fuentes, ainda será visto coisas fantásticas nesse segmento. Certamente, 2021 será marcado por muitos avanços. Desta forma, o executivo apontou algumas tendências esperadas para o setor neste ano.

Tecnologia

Na sua visão, a inteligência artificial será cada vez mais relevante no mercado das healthtechs. Segundo ele, a pandemia foi um grande catalisador nesse sentido. Fuentes afirma que 25% das startups que usam inteligência artificial para soluções em saúde no mundo foram fundadas nos últimos três anos, e que existe uma oportunidade.

Saúde mental

De acordo com o especialista, vai continuar a crescer e ser cada vez mais recorrente. Em tempos de pandemia e trabalho, essas soluções tiveram altos acessos.

Detecção de câncer

O diagnóstico precoce de câncer é outra tendência. Fuentes afirma que, no mundo, entre os cinco maiores aportes de healthtechs, quatro foram em startups que atuam nesse campo. No seu entendimento, essa é uma tendência lá fora e que deve crescer no Brasil.