Tecnologia auxilia no rastreamento de alimentos

A JBS já participa do processo e conta com o apoio da Ecotrace

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O Brasil é considerado um dos maiores exportadores de grãos, carnes e outros produtos do mundo, portanto, conhecer o processo de cultivo e cuidado com os alimentos é de extrema importância para os importadores. Diante de um cenário caótico devido o aumento do desmatamento, a tecnologia vem se mostrando um aliado para auxiliar produtores, indústrias e varejistas no cumprimento de legislação.

Transparência e manuseio

Garantir a transparência e manuseio desses itens é um fator determinante para a exportação deles. A JBS já identificou essa necessidade e contará com o apoio da startup Ecotrace que fará o monitoramento socioambiental de criadores de gado iniciado pela campanha há dez anos na Amazônia.

A ideia com essa iniciativa é evitar contribuir com o desmatamento e ajudar a garantir a preservação da Amazônia Legal. Por meio deste novo processo tecnológico, é possível evitar o trabalho escravo e embargos ambientais. A JBS pretende ainda criar os chamados “escritórios verdes” em suas unidades no bioma, a empresa já monitora 60 mil fazendas e 450 quilômetros quadrados, área maior que a da Alemanha.

Rastreamento até 2025

Com o mesmo propósito, o projeto Marfrig Verde+ foi desenvolvido pela pioneira Marfrig com a promessa de assistir os fornecedores por meio de rastreamento até 2025. O método de rastreamento integra processos como a mitigação de risco que vai sobrepor as regiões típicas de produção de bezerros com áreas de vegetação nativa, cujos dados serão cruzados com os dos alertas de desmatamento e as áreas das propriedades rurais dos seus fornecedores diretos.

As mesmas ferramentas de rastreio serão usadas na Frigol, unidade frigorífica com produção anual de 160 mil toneladas de carne bovina e 20 mil toneladas de carne suína. Carlos Simões Côrrea, CFO da empresa, explica que até o fim de 2021, todas as plantas da Frigol serão equipadas com câmeras que filmam e fotografam os abates e, graças a um algoritmo de visão computacional, permitem analisar carcaça a carcaça.

Um passo de cada vez

O fundador da Ecotrace, Flávio Redi, diz que na rastreabilidade, precisam dar um passo de cada vez. Construíram um alicerce no mercado interno desde 2018, nas cadeias de bovinos, aves e algodão, e agora estão buscando ser homologados pelos parceiros para atender os clientes deles também lá fora. Vale ressaltar que a tecnologia já está sendo usada nas unidades de Lençóis Paulistas (SP) e Água Azul do Norte (PA) e, durante a pandemia, já estava sendo usada com bastante frequência pelos produtores.

Já o CEO da PariPassu, Giampaolo Buso, que acompanha o mercado há 20 anos, acredita que 60% dos hortifrútis comercializados no varejo hoje sejam rastreados, refletindo o casamento de legislações específicas para o setor com o aumento da fiscalização. Ele ressalta a consciência está crescendo e a maioria do setor busca ter o mínimo que é informar de quem comprou e para quem vendeu. No FLV, é tudo muito manual. O produtor precisa se habituar a informar dados. Os grandes já fazem isso porque facilita a gestão do negócio deles.