Comunidades quilombolas (MA) se tornam tema para a cartilha lançada por pesquisadores do IFMA

Os pesquisadores percorreram Ariquipá, Conceição, Juraraitá, Marajá, Mafra, Pericumã, Ramal de Quindíua, Rio Grande, Santa Rita, Sibéria e Suassuí

Foto: Reprodução

Comunidades quilombolas do município de Bequimão, no Maranhão, a 54 km de São Luís, receberam a recém lançada cartilha sobre as comunidades, produzida por pesquisadores do Instituto Federal do Maranhão (IFMA).

Para que o projeto tomasse vida, a equipe do Núcleo de Maricultura (Numar), que é composta pela professora Izabel Funo (Campus Maracanã), coordenadora do estudo, pelo professor Caio Lourenço (Campus Itapecuru) e pelo estudante da Licenciatura em Ciências Agrárias, Porto Protasio, fizeram pesquisas duradouras a fim de obter dados para a construção do projeto.

As comunidades percorridas foram Ariquipá, Conceição, Juraraitá, Marajá, Mafra, Pericumã, Ramal de Quindíua, Rio Grande, Santa Rita, Sibéria e Suassuí, todas certificadas pela Fundação Palmares. Um grupo de 144 moradores participaram do projeto respondendo a questionários que envolviam perguntas sobre o perfil demográfico, a fim de buscarem entender a organização econômica.

Segundo o pesquisador Caio Lourenço, doutor em Ecologia Aplicada, vivenciar um pouco da realidade das 11 comunidades remanescentes quilombolas de Bequimão permitiu compreender as lutas e demandas dessas comunidades tradicionais por políticas públicas que possam garantir seus direitos.

Entre as curiosidades e informações mais relevantes do projeto, os pesquisadores puderam notar que de toda a produção rural dos quilombolas, apenas 9% dela é destina à comercialização, enquanto 91% é usada para consumo próprio. Dos produtos cultivados em terras ancestrais, puderam ser encontrados cultivo de alface, cebolinha, cheiro-verde, milho, mandioca, feijão e arroz. Além destes, também são cultivados laranja, murici, batata doce, banana, coco e abacate.

Dados da cartilha divulgaram que a renda por pessoa varia entre R$ 83,53 e R$ 449,71. Mais de 42% da população dependem de benefícios sociais, como o Bolsa Família e 25% vivem da aposentadoria. Protasio detalhou dados da pesquisa em seu projeto de monografia, revelou foi possível observar o potencial das comunidades quilombolas, o desejo de aprender coisas novas, que emanava de seus olhares curiosos durante as atividades teóricas e práticas.

Em relação às terras pertencentes às comunidades, dados do levantamento realizado pela equipe do Numar/IFMA – Campus Maracanã, 95,1% não sabem que suas terras estão dentro da Área de Proteção Ambiental (APA) das Reentrâncias Maranhenses, da APA da Baixada Maranhense e da Reserva Extrativa Itapetininga.