Novo auxílio só será discutido em fevereiro, afirma o líder do governo no Senado

Após avaliar a necessidade de um novo benefício, durante o mês de janeiro, que se chegará a um veredito

Senador Fernando Bezerra Coelho (Foto: Reprodução)

A pandemia causada pelo novo coronavírus tirou os brasileiros do eixo, milhares precisaram parar de trabalhar e passaram à fase de vulnerabilidade. Diante de um precipício, o governo decidiu liberar o auxílio emergencial parcelas de R$ 600 e R$ 300 reais para milhares de pessoas. A questão é: o auxílio vai continuar? Essa será uma decisão a avaliada somente em fevereiro de 2021, afirma o senador Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE) em entrevista cedida ao Valor.

Durante os meses com maior índice de contaminados pelo vírus, 68 milhões de pessoas receberam as parcelas do benefício. O senador explica que o governo vai observar nos primeiros meses a “surpreendente” retomada do crescimento, que em sua avaliação pode desmobilizar as negociações em torno da extensão do auxílio ou até mesmo em relação à criação de um novo programa de transferência de renda, como havia sido discutido no âmbito da Renda Cidadã.

Revés na aprovação da reforma tributária

Bezerra acrescenta que o revés na aprovação ainda este ano de uma proposta de reforma tributária se deu principalmente por conta do embate entre o ministro da Economia, Paulo Guedes, e do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que deixa o cargo em fevereiro.

Ao ser questionado pelo Valor se haveria a continuação do auxílio emergencial no próximo ano, Bezerra respondeu que isso será motivo de reflexão a partir de fevereiro. A retomada da economia do Brasil está surpreendente. Todos os números e indicadores são ‘em V’.

Não tem retomada mais lenta, como alguns estão apostando. A pergunta é: se necessário, de fato, prorrogar o auxílio, no sentido de fornecer proteção social aos mais vulneráveis, ou os empregos informais e formais estão voltando para diminuir os desempregados? É preciso aguardar.

Aumento do déficit brasileiro de R$ 120 milhões para R$ 750 bilhões

Exatamente por conta do crescimento econômico e dados positivos, de acordo com o senador, o auxílio emergencial só será liberado até dezembro, após isso, não haverá mais parcelas até a decisão, que deve acontecer em fevereiro de 2021. O Brasil saiu de um déficit de R$ 120 milhões para um déficit de R$ 750 bilhões, um esforço extraordinário, que se projetou no aumento da dívida, explica.

Sobre uma provável segunda onda da pandemia, o senador diz que também é algo a ser observado, é fruto de aglomerações observadas por conta das eleições municipais? Isso vai continuar em patamares elevados, como pode ser visto nos últimos dois dias, de 900 mortes por dia, ou a curva dará sinais de de declínio?

Saldo do governo em 2020

Em relação ao saldo de 2020 para o governo, no início da pandemia, como foi noticiado por diversos veículos, o Brasil deveria amargar uma retração econômica próxima de 10% do PIB. É a melhor performance da América Latina e está em linha com países desenvolvidos.

Ele pontua a agenda de reformas, que ficou em movimento, além da autonomia do Banco Central, que estava há 30 anos engavetada, o Marco Legal do Gás, do Saneamento, Cabotagem, aprovado na Câmara chegando no Senado.