Governo do Japão vai financiar inteligência artificial para aumentar taxa de natalidade

O número de nascimentos em 2019 no país caiu 5,8%, para cerca de 865 mil, o menor número anual de todos os tempos

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O governo japonês planeja intensificar os esforços para conter a queda na taxa de natalidade do país ao financiar sistemas de inteligência artificial (IA). Segundo a agência de notícias AFP, o valor total a ser distribuído para projetos de tecnologia que facilitem o encontro entre as pessoas será de US$ 19 milhões — cerca de R$ 97 milhões.

O número de nascimentos em 2019 no país caiu 5,8%, para cerca de 865 mil, o menor número anual de todos os tempos. A queda no número de casamentos e um aumento na idade que as pessoas se casam tiveram um papel importante neste cenário.

Veículos da imprensa do Japão relatam que, com o novo investimento, o governo pretende incrementar sistemas mais sofisticados e caros que incluam também informações sobre preferências de lazer e valores pessoais para reverter o declínio na taxa de natalidade.

A população deve encolher de 128 milhões para menos de 53 milhões de pessoas até o final do século. Os serviços de matchmaking, como aplicativos de encontros, são normalmente executados por humanos. Agora, serão introduzidos em sistemas de IA.

Dados do governo apontam que o número de casamentos caiu em 200 mil no Japão de 2000 até o ano passado. Com isso, o governo federal garantirá cerca de 60% do custo dos sistemas de IA mais elaborados, dos 2 bilhões de ienes — cerca de R$ 98 milhões — que está solicitando para combater a queda da taxa de natalidade, acrescentou a AFP.

Sachiko Horiguchi, antropóloga da Universidade do Templo do Japão, acredita que há melhores maneiras de resolver o problema, como ajudar jovens que ganham baixos salários. A pesquisadora aponta para um estudo recente que sugere uma ligação entre baixa renda e perda de interesse em relacionamentos amorosos entre jovens.

O Japão não é o único que enfrenta queda nas taxas de natalidade. Países como Rússia, Itália e Reino Unido também têm implementado medidas para reverter os baixos números. Algumas das políticas incluem aumento da licença maternidade e paternidade, assistência infantil gratuita, incentivos financeiros e direitos extras de emprego.