Menos pessoas empregadas afeta a produtividade da indústria, aponta IBGE

Com grandes contingentes fora do mercado de trabalho, diz representante do instituto, há massa salarial restrita que tem impacto na demanda e limita os avanços da indústria

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Embora tenha crescido 1,1% em outubro, a sexta alta seguida na comparação com o mês anterior, o crescimento da produção industrial vem desacelerando mês a mês desde junho, quando cresceu 9,6%.

Essa desaceleração reflete taxas negativas em duas das grandes categorias econômicas, as de bens intermediários (-0,2%) e bens semiduráveis e não duráveis (-0,1%). Somadas, essas duas categorias têm um peso de 80% na indústria brasileira, sendo que bens intermediários representa 55% do total. As informações são do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), por meio de sua Pesquisa Industrial Mensal – Produção Física (PIM-PF).

O gerente da pesquisa, André Macedo, afirma que o resultado de outubro reflete uma acomodação do índice, que após cinco meses de altas significativas passou a ter uma base de comparação maior, mas, também, a resiliência da taxa de desemprego, que ficou em 14,1% em outubro segundo o IBGE.

Com grandes contingentes fora do mercado de trabalho, diz, ele, há massa salarial restrita que impacta a demanda e limita os avanços da indústria. Na prática, para sustentar taxas de crescimento maiores na produção dos próximos meses, é preciso que a economia gere mais emprego e renda, porque o efeito de retorno da atividade industrial com a flexibilização do isolamento, sobre as taxas, começa a se neutralizar.


O especialista afirma que ainda é cedo para apontar uma correlação entre a desaceleração do setor e a redução do auxílio emergencial, que vinha sustentando a demanda por produtos diversos em um cenário de baixa no consumo de serviços devido ao isolamento social. Ainda assim, diz ele, é provável que a redução do benefício impacte a produção indiretamente.

Com relação aos 26 ramos acompanhados pelo IBGE, 11 recuaram ante setembro, indicando um menor espalhamento do crescimento do que nos meses anteriores, quando mais ramos avançaram. Quedas importantes em outubro aconteceram no ramo do fumo (-18,7%), mas também perfumaria, sabões e produtos de limpeza (-4,2%), produtos alimentícios (-2,8%) e bebidas (-0,3%).

Entre os destaques positivos, surgem os ramos de impressão e reprodução de gravações (+18,9%), couro e calçados (+5,7%), veículos, reboques e carrocerias (+4,7%) e máquinas e equipamentos (+2,2%).